OPINIÃO
05/04/2016 11:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Seleção Brasileira: falta de boa 'ventura' não justifica polêmica do hotel

A sociedade brasileira está em ebulição devido ao cenário político. Escândalos de corrupção e artimanhas políticas estão cada vez mais evidentes, o que faz qualquer entidade pública ou privada do país se precaver; evitando atitudes duvidosas que coloquem em risco sua marca. Assim, quando a seleção brasileira anunciou sua preparação para o jogo contra o Paraguai no Hotel Vila Ventura, na região metropolitana de Porto Alegre e cujo um dos sócios é o auxiliar pontual de Dunga; faltou, no mínimo, bom senso dos profissionais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

CHRISTOPHE SIMON via Getty Images
Brazil's football team coach Carlos Caetano Bledorn Verri, 'Dunga', gives a press conference on the eve of the qualifier match against Uruguay for the Russia World Cup 2018, in Recife, Brazil, on March 24, 2016. AFP PHOTO/CHRISTOPHE SIMON / AFP / CHRISTOPHE SIMON (Photo credit should read CHRISTOPHE SIMON/AFP/Getty Images)

A seleção brasileira não está em bom momento. Se na partida contra o Uruguai faltou mais uma vez controle emocional, a falta de um boa "ventura" contra o Paraguai não justificou a polêmica envolvendo a hospedagem em um hotel cujo o acionista é o assistente pontual de Dunga.

A sociedade brasileira está em ebulição devido ao cenário político. Escândalos de corrupção e artimanhas políticas estão cada vez mais evidentes, o que faz qualquer entidade pública ou privada do país se precaver; evitando atitudes duvidosas que coloquem em risco sua marca.

Assim, quando a seleção brasileira anunciou sua preparação para o jogo contra o Paraguai no Hotel Vila Ventura, na região metropolitana de Porto Alegre e cujo um dos sócios é o auxiliar pontual de Dunga; faltou, no mínimo, bom senso dos profissionais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Vamos recapitular.

Lúcio, ex-zagueiro e capitão da seleção brasileira, foi anunciado como auxiliar pontual de Dunga no começo de março. Mas o que isso significa? No meu entendimento ele é uma espécie de conselheiro pessoal do treinador, 'pontualmente' para dois jogos: no vexatório empate contra o Uruguai (será que os 'conselhos' de Lúcio não chegaram ao David Luiz?) e no outro sofrido empate contra o Paraguai (falhou a zaga de novo?), em Assunção.

A polêmica envolve Lúcio, pois ele é acionista do hotel em que Gilmar Rinaldi - Coordenador de Seleções da CBF - escolheu para a seleção concentrar.

E como explicar que "focinho de porco não é tomada"? Foi o que Gilmar buscou fazer ao longo dos últimos dias: negar que aja qualquer outro interesse, que não seja o logístico e técnico, para a escolha do local.

Primeiro Gilmar explicou que no Paraguai não há locais com a qualidade do hotel de Lúcio. Depois, argumentou uma questão logística relacionada ao tempo de voo até o Paraguai e; ainda alertou que a escolha do local já estava planejada antes mesmo de Lúcio ser auxiliar pontual de Dunga. Por fim, levou para o lado pessoal dizendo que há uma espécie de perseguição e que tudo isso não passa de intriga de "alguns" que não aceitam "mudanças".

Tirando a parte pessoal, convenhamos que o Gilmar e a CBF "cavaram a própria cova".

Uma atitude pró-ativa neste caso iria resolvê-lo antes mesmo dele acontecer. Ao ser anunciado o local, a assessoria de imprensa da CBF ou o próprio Gilmar já poderiam ter antecipado o "problema" e esclarecido o fato.

"Ah, mas o Rinaldi não sabia que Lúcio era sócio-acionista do hotel", você me lembraria.

Sim, partindo do princípio que isso é verdade, então foi um lapso administrativo e de comunicação interna do Coordenador de Seleções da CBF. Além disso, será que a hospedagem na Granja Comary (sede da seleção no Rio de Janeiro) não possui as mesmas condições e sairia mais em conta? E um voo com algumas horas a mais saindo do Rio de Janeiro é mais cansativo do que uma viagem do Recife (onde a seleção jogou contra o Uruguai) à Porto Alegre? São perguntas que ficaram em torno da polêmica escolha do hotel.

Nesse momento conturbado em que vive a política brasileira, com a própria CBF sendo alvo de investigações, faltou no mínimo bom senso dos profissionais da seleção brasileira. Restava à eles torcerem por uma boa "ventura" da seleção diante do Paraguai para justificar toda essa logística e a contratação "pontual" de Lúcio.

Porém o Brasil sucumbiu novamente e nada se justificou.

Adaptação do texto original publicado no meu blog no Torcedores.com

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