OPINIÃO
02/07/2014 10:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

O lucro e a desgraça do futebol europeu na Copa

Julian Finney via Getty Images
NATAL, BRAZIL - JUNE 24: Andrea Pirlo of Italy walks off the pitch after the 2014 FIFA World Cup Brazil Group D match between Italy and Uruguay at Estadio das Dunas on June 24, 2014 in Natal, Brazil. (Photo by Julian Finney/Getty Images)

Até o momento, a grande questão da Copa do Mundo no Brasil é por que os times europeus estão sendo precocemente desclassificados? Alguns buscam respostas na preparação física ou nas questões de ordem técnico-tática do esporte. Esses elementos podem até explicar resultados, mas não explicam o fenômeno em si. O "problema" dos europeus está no status econômico-cultural que o seu futebol atingiu.

Quase todas as pessoas tem consciência que lá no velho continente o futebol está em um patamar econômico diferente dos outros. Lá o futebol é profissional e realmente já vive na "era do entretenimento e do marketing". Na Europa os clubes são empresas multinacionais com marcas globalizadas. E aquela coisa passional, que vêm de berço e que mora no âmago da identidade da pessoa que nasce em uma determinada região, cidade e país está se acabando.

Com isso se criou essa nova modalidade de torcedor, o tal "espectador". É aquele sujeito padrão FIFA; ou seja, que vai ao estádio "fantasiado" com as cores do clube, faz o show para a televisão, consome os produtos dos patrocinadores e, ao final do jogo, o mais importante foi o número de "curtidas" recebidas no selfie dentro do estádio.

Esse espectador vibra com o "jogador de futebol moderno". É o atleta profissional; ou seja, que se "fantasia" com as cores do clube, faz o show para a televisão, vende os produtos dos patrocinadores e, ao final do jogo, o mais importante foi o número de "curtidas" que ele proporcionou para sua própria marca.

Essa simbiose "espectador-atleta profissional" fez com que as seleções europeias se transformassem também em um grande produto de marketing que visa o lucro em cima da necessidade de status de cada indivíduo do seu país. Sem aquele clamor popular, sem aquela responsabilidade de carregar a "nação na ponta das chuteiras", essas seleções entraram na Copa para "fazer um espetáculo" em gramados tupiniquins.

Mas não é exatamente isso que a FIFA e as confederações querem? Bem, o plano era criar um futebol sem "guerra entre nações", sem conflitos na arquibancada, sem aquela comoção nacional em caso de vitória ou derrota. Um futebol asséptico e lucrativo.

Pois bem, esse tipo de futebol, virou a desgraça dos europeus. Suas seleções foram feitas de jogadores-personagens, enquanto as outras seleções continuaram a produzir jogadores-heróis da nação.

Agora, basta saber como os europeus vão lidar com esse fenômeno e ditar os novos rumos do futebol mundial.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.


Para ver as atualizações mais rápido ainda, clique aqui.


MAIS COPA NO BRASIL POST: