OPINIÃO
09/04/2015 16:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

Mario Jardel não estava preparado para ser político. Mas quem está?

O próprio "inventor" do deputado Mario Jardel já falou, em entrevista à uma rádio de esportes de Porto Alegre, que o seu primeiro mandato foi de "aprendizagem" do sistema político. É louvável esse reconhecimento pelo deputado, mas me desculpe Danrlei, ninguém é eleito para aprender, mas sim para exercer o cargo.

divulgação/psd

"Diga-me quantos brasileiros são preparados para exercer cargos políticos, que eu te direi como anda a política do País". Essa a frase que ronda meus pensamentos a cada notícia advinda do poder legislativo. A última delas foi proporcionada pelo ex-goleador gremista, opa, quero dizer, deputado, Mário Jardel (PSD-RS).

Com a mesma aptidão que ele possuía para marcar gols de cabeça, ele detonou seu gabinete, exonerando 17 dos 21 assessores. Numa analogia com o futebol, isso pode ser comparado com uma limpa no vestiário quando um clube está caindo pelas tabelas de uma competição. E parece que o deputado Jardel ainda pensa com jogador de futebol - a sua formação profissional.

De acordo com seu novo chefe de gabinete, a atitude está relacionada com "ameaças" e "má conduta" dos assessores. Mas espera um pouco. Como um pessoa como Mário Jardel, que sabidamente tinha problemas de auto-controle, poderia estar liderando um time de 21 pessoas?

Não me interpretem errado. Sou um fã do goleador Jardel e admiro sua história de superação, mas tenho dificuldade em entender como as pessoas que votaram nele (41 mil) acreditaram que ele poderia exercer tal cargo no poder legislativo. Como bem falou, Rosane de Oliveira, Jardel foi "inventado" político pelo outro deputado e ex-goleiro do tricolor, Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS).

Eu não sei você, mas eu fiz todo meu primeiro grau (ou seja, o hoje chamado ensino "fundamental"), em escola pública. Lembro que existia uma matéria chamada Educação Moral e Cívica que depois foi abolida dos currículos escolares. Para além de decorar o hino brasileiro e pintar bandeiras em verde e amarelo, aquelas aulas eram para estimular a reflexão e o pensamento voltado aos valores éticos e morais das pessoas na sociedade.

Foi só um ano que tive essa disciplina. Então talvez o impacto dela na minha formação nem seja assim tão grande. Mas o fato é que hoje não há nenhuma "disciplina" e são poucos os professores - abençoados sejam - que estimulam a ética e o entendimento do papel de cada um na nossa sociedade. E mais, onde está o ensino sobre democracia, direitos, deveres, enfim, política no nosso País?

Então, voltando ao deputado Jardel, já era de se esperar que a sua atuação fosse limitada, assim como ele era limitado a fazer gols com a cabeça. Mas essa cabeça que tanto deu alegrias para o lado azul do sul do País não tinha os pré-requisitos para ser um deputado.

"E quem tem?", você irá me perguntar. Na atual conjuntura, confesso que não sei. Se por um lado temos pessoas sem entendimento do "valor" do voto, do outro temos pessoas não preparadas para exercer funções políticas.

Como ser humano, eu quero muito que Jardel se recupere e quem sabe me cale, mostrando-se um político honesto e responsável no seu mandato. Porém como brasileiro, tenho cada vez mais dúvidas sobre o atual sistema político do nosso País.

O próprio "inventor" do deputado Mario Jardel já falou, em entrevista à uma rádio de esportes de Porto Alegre, que o seu primeiro mandato foi de "aprendizagem" do sistema político. É louvável esse reconhecimento pelo deputado, mas me desculpe Danrlei, ninguém é eleito para aprender, mas sim para exercer o cargo.

Talvez Danrlei tenha pensado que Jardel poderia passar pelo mesmo sistema "pedagógico". Mas agora, diante da revolta do seu pupilo político, Danrlei rompe com o colega. Claro, porque o deputado já aprendeu como funciona o sistema político e (agora) ele sabe que o mesmo não tem o caráter pedagógico das findadas aulas de Educação Moral e Cívica.

"Diga-me quantos brasileiros são preparados para exercer cargos políticos, que eu te direi como anda a política do país", ainda ressoa na minha mente.