Opinião

Macaco ou burro chucro? A injúria racial no futebol

"Dois pesos, duas medidas não pode ser aplicado quando se usa a lei"
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VOLTA REDONDA, BRAZIL - JULY 20: Aranha goalkeeper of Santos during the match between Fluminense and Santos for the Brazilian Series A 2014 at Raulino de Oliveira Stadium on July 20, 2014 in Volta Redonda, Brazil. (Photo by Ricardo Ramos/Getty Images)
VOLTA REDONDA, BRAZIL - JULY 20: Aranha goalkeeper of Santos during the match between Fluminense and Santos for the Brazilian Series A 2014 at Raulino de Oliveira Stadium on July 20, 2014 in Volta Redonda, Brazil. (Photo by Ricardo Ramos/Getty Images)

A fim de acabar, ou melhor, esclarecer o assunto sobre "racismo" no futebol brasileiro, sugiro a leitura da Lei Caó. Essa é a lei que define o que é racismo, ou seja, impedir a prática de exercício de um direito que a pessoa tenha por causa da cor, sexo ou estado civil. Atitudes como a da torcedora gremista que chamou o goleiro do Santos de "macaco"; ou como o do presidente do Corinthians que chamou o árbitro de "burro chucro", podem ser consideradas "injúria racial".

Digo "podem" porque precisa haver denúncia, senão não há punição. E isso vale tanto para injúria racial ou racismo. E, por falar em punição, este é exatamente o ponto crítico para mim. "Dois pesos, duas medidas" não pode ser aplicado quando se usa a lei.

No caso do futebol brasileiro, se um clube irá ser excluído de uma competição por causa de "injúria racial", pois foi denunciado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), então todos os outros que cometem o mesmo "crime" devem ser denunciados e penalizados.

Se isso não ocorrer, ficamos novamente com o sentimento de injustiça. E aqui é um outro ponto crítico no nosso país. Enquanto o sentimento de injustiça e impunidade continuar no futebol e, mais amplamente no Brasil, as pessoas continuarão a cometer seus delitos.

Assim, um ambiente com uma aglomeração de indivíduos, como um estádio de futebol, onde o anonimato (agora) só é flagrado através das câmeras, se torna um ambiente propício para se cometer "injúria racial" e outros "crimes".

Se é verdade que queremos ter estádios e arenas mais civilizados, mas nos sentimos injustiçados pela não aplicação da lei, então a mudança de atitude deverá partir do próprio torcedor (cidadão). Se houver complacência e ele não denunciar, não terá a chance de ver a punição.

Quem sabe dessa forma, com pessoas mais engajadas em criar uma sociedade melhor, uma mudança no futebol e no nosso mundo seja possível.

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