OPINIÃO
23/07/2014 10:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Dunga e o Padrão CBF

Se a Seleção seguir o padrão, vamos ganhar uma medalha olímpica e um título até a Copa de 2018. Mas vamos continuar na pobreza tática e no arcaico modelo de gestão do futebol brasileiro.

Buda Mendes via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JULY 22: Carlos Dunga (R) greets President of the Brazilian Football Confederation (CBF), Jose Maria Marin during a press conference to announce Dunga as the new coach of the Brazilian Football team at Headquarters of Brazilian Football Confederation - CBF on July 22, 2014 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

Bem, não foi pegadinha mesmo. O novo treinador da Seleção Brasileira de Futebol é Dunga. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mais uma vez mostra o seu comprometimento em não pensar a longo prazo, repetindo uma fórmula baseada em resultados de campo, em que o culpado é "somente" o treinador. Chamarei isso de "padrão CBF".

Em 2006, Dunga foi chamado pela primeira vez para assumir a Seleção. Era visto como a renovação para a Seleção, pois era sua primeira experiência como treinador. Também foi apontado em 2006 como a solução para a falta de "disciplina" que minava o vestiário de veteranos brasileiros treinados por Parreira, e que havia culminado na ridícula eliminação contra a França de Zidane e Henry.

Na sua primeira passagem pela Seleção, Dunga foi um técnico com problemas com a imprensa devido ao seu temperamento. Alguns diziam que o treinador vivia em um "complexo de perseguição". Mas Dunga ganhou uma Copa América em 2007, um bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 e a Copa das Confederações em 2009.

O primeiro ciclo na Seleção se encerrou depois que o Brasil foi eliminado pela Holanda na Copa de 2010. Dunga foi criticado por não levar a nova geração de jogadores que surgia no futebol brasileiro (PH Ganso e Neymar Jr.); fato que fez o Brasil não ter opções no banco durante o fatídico jogo contra a Holanda de Sneijder, Robben e cia.

O "padrão CBF" de falta de continuidade continuou e o comando técnico da Seleção foi dado a Mano Menezes. Mano "renovou" novamente a Seleção e fez dela quase que um laboratório de testes (ou de marketing), convocando todo e qualquer jogador brasileiro. A experiência culminou na medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2012, com o Brasil perdendo para o México de Peralta.

Por fim Felipão foi chamado para substituir Mano. Era visto como a "experiência e a disciplina" que faltava à Seleção que iria encarar uma Copa do Mundo em seu território. Ganhamos novamente uma Copa das Confederações em 2013, mas deu no que deu; Felipão e a Seleção foram humilhados por um futebol moderno, planejado e renovado feito pela Alemanha no inesquecível 7x1.

Agora, quando todos gostariam de ver um verdadeiro projeto a longo prazo e uma reestruturação profunda na fórmula do futebol brasileiro, a CBF apresentou novamente Dunga. Se a Seleção seguir o padrão, vamos ganhar uma medalha olímpica e um título até a Copa de 2018. Mas vamos continuar na pobreza tática e no arcaico modelo de gestão do futebol brasileiro.

Boa sorte, Dunga! Mas todos nós sabemos que a Seleção é a "ponta do iceberg". Você até pode ter resultados, mas no final será o culpado e irá cair novamente em virtude do "padrão CBF" de gerir o nosso futebol.

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