OPINIÃO
07/05/2015 17:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Adeus, pay-per-view? Olá, Periscope e Meerkat!

A tão aguardada luta entre Floyd Mayweather e Manny Pacquiao escancarou o que muitas emissoras de eventos esportivos temiam: a transmissão "pirateada" de eventos através de aplicativos de celular. A luta foi o evento esportivo mais pirateado no mundo por espectadores. E se essa moda pega no Brasil?

Rekha Garton / Alamy

A tão aguardada "luta do século" entre Floyd Mayweather e Manny Pacquiao escancarou o que muitas emissoras de eventos esportivos temiam: a transmissão "pirateada" de eventos através de aplicativos de celular. A luta foi o evento esportivo mais pirateado no mundo por (acreditem) espectadores.

2 de maio de 2015 foi a data escolhida pelos organizadores da luta do século para brindar os fãs do boxe com uma luta que certamente renderia (e rendeu) milhões de dólares para os boxeadores e para as emissoras de TV com direitos exclusivos de transmissão. A velha e boa fórmula de business que utiliza das ferramentas de marketing para a venda de pacotes televisivos em que pagamos caro para assistir ao conteúdo exclusivo - os chamados pay-per-view.

Com isso, eu, você, o vizinho, a sogra e todos aqueles que nem sabiam de onde surgem os lutadores ficamos entusiasmados com a ideia. E, no fim, queremos dar um jeito de ver a tal luta do século. Normalmente, a saída tradicional é comprar o pacote de pay-per-view e saciar os "nossos" desejos.

Mas eis que surgem os aplicativos de celular para transmitir gratuitamente os eventos ao vivo!

Imagine você que está no desespero para ver a luta e, então, você baixa um aplicativo no seu celular. Voilá! Você pode assistir à luta pela câmera de outra pessoa que está lá em Las Vegas sentado na primeira fila - tudo ao vivo e de graça. É isso que os aplicativos Periscope e Meerkat estão proporcionando aos seus usuários.

Para quem trabalha com a venda de direitos autorais, os aplicativos já são uma dor de cabeça faz algum tempo. A luta do século só escancarou o problema: o controle sobre os celulares pessoais é muito difícil.

Lá no ingresso e nas diretrizes desses aplicativos está claro que não se pode cometer esse "crime". Mas e aí? É impossível banir dos eventos esportivos os celulares. Aliás, o volume de posts e tweets é parte importante do business, da divulgação, de se criar um frenesi em torno do evento. E até onde eu sei, não há no mundo uma lei que puna esses "usuários-infratores".

A "pirataria" não fica somente no esporte, ela já invadiu o mercado cinematográfico, com pessoas assistindo a filmes e séries na palma da mão, em casa, sem gastar um tostão.

E se a moda pega no Brasil? Seria o fim do pay-per-view no Campeonato Brasileiro de futebol? Será que no próximo ano os Jogos Olímpicos Rio 2016 irão bater o recorde da luta do século e ser o evento esportivo mais pirateado do mundo?

Só o tempo (e a pressão feita pelas diferentes indústrias) irá determinar o futuro desses aplicativos e das nossas vidas ao vivo e online.

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