OPINIÃO
09/07/2014 09:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

A derrota do Brasil

A hora é essa. Eu não vou esperar o sangue baixar e vou cometer o erro de escrever sobre a derrota mais humilhante da história do futebol brasileiro.

Robert Cianflone via Getty Images
BELO HORIZONTE, BRAZIL - JULY 08: David Luiz and Maicon of Brazil look dejected after allowing Germany's fifth goal during the 2014 FIFA World Cup Brazil Semi Final match between Brazil and Germany at Estadio Mineirao on July 8, 2014 in Belo Horizonte, Brazil. (Photo by Robert Cianflone/Getty Images)

A hora é essa. Eu não vou esperar o sangue baixar e vou cometer o erro de escrever sobre a derrota mais humilhante da história do futebol brasileiro. Uma análise superficial e uma profunda sobre essa derrota do "Brasil" como um todo.

Começamos assim. Nós sabíamos que não merecíamos o título da Copa do Mundo de 2014. A esperança em ganhar era puramente baseada na emoção por estar sediando o evento. Se estávamos orgulhosos com os resultados vistos em campo, sentimos na pele como é fazer parte do outro lado; o dos humilhados na Copa.

Mas por que isso tudo ocorreu? Honestamente, eu não sei. Seria soberba minha achar que posso explicar essa derrota. Queria muito culpar o Felipão e suas escolhas. Queria muito culpar o descontrole emocional dos nossos jogadores. Queria muito culpar a estrutura do nosso futebol em geral. Queria muito achar uma explicação, um culpado ou culpados e fim.

Na verdade, a busca por culpados só reforça o "nosso problema". A nossa mentalidade de que somos superiores, de que o problema está "dentro de casa" e que podemos resolver isso sem a necessidade de adquirir os conhecimentos advindos do mundo afora.

Sim, existe uma soberba no futebol brasileiro.

E não pensem de que sou um fã do conceito "tudo o que vêm de fora é melhor". Pois aqueles que pensam dessa forma cometem o mesmo erro dos que acreditam que nascemos com o "dom do futebol" e que isso basta.

Então, assim, em uma primeira análise, está nos faltando é humildade para reconhecer que o futebol brasileiro estagnou no tempo, em todos os sentidos.

Se olharmos para o nosso algoz alemão, perceberemos que eles evoluíram ao entender que a inclusão de atletas imigrantes era necessária para oxigenar o esporte; que ter uma liga balanceada financeiramente profissionalizaria os clubes, contribuindo para a formação de atletas e profissionais do esporte; que era importante incluir novas ideias táticas (por exemplo, Guardiola no Bayern de Munique) no seu futebol.

É claro que lá também existem problemas e que talvez eles não irão ser campeões do mundo aqui no Brasil. Porém, o importante disso tudo não está no resultado, mas sim no processo. Foi a humildade para reconhecer defeitos e buscar soluções profundas; nada de mascarar a realidade.

Assim, esse é um momento único de reflexão para o futebol no Brasil. Vamos ficar com estádios e arenas modernas, mas continuando com velhas práticas de gestão? Vamos continuar a ser passivos e permissivos enquanto torcedores e sócios dos nossos clubes?

Quero acreditar que temos a capacidade de mudar, de refletir e ajudar a construir um futebol melhor. Talvez assim, começando pelo esporte, também vamos mudar de atitude e nos tornamos mais socialmente e politicamente engajados na nossa sociedade. Essa última sim, uma análise mais profunda sobre a derrota brasileira.

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