OPINIÃO
26/02/2015 14:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

De que forma o comércio virtual modifica a loja "real"?

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Fala-se muito na concorrência entre a loja virtual e a loja física. Como se o volume crescente de compras pela Internet viesse a comprometer, no futuro, a própria existência da loja "real".

Mas a oposição entre loja física e loja virtual pode não ser tão radical quanto parece à primeira vista. E isso porque cada vez mais as tecnologias digitais "invadem" as lojas físicas, transformando o negócio do comércio e a própria experiência do consumidor.

É conhecido o fato de que o comércio varejista há algum tempo - e cada vez mais - utiliza os sistemas digitais em sua infraestrutura. Seja no diz respeito, por exemplo, a logística e controle de estoques, seja no que toca à conectividade entre lojas em rede e a todas as ligações que permitem a utilização de diferentes meios de pagamento.

No entanto, isso tudo é invisível para o cliente. Trata-se agora de sistemas digitais que vão mediar o próprio relacionamento com o comprador durante sua presença na loja. Por exemplo, hoje é tecnicamente possível que a pessoa visualize como determinada roupa fica em seu corpo sem ser preciso prová-la, pois há tecnologias que permitem fotografar o cliente em 360 graus e vesti-lo com os itens escolhidos.

As compras on-line criam novos hábitos de consumo, em que já esperamos que venham até nós as ofertas dos sites que frequentamos; assim como já estamos acostumados a receber mensagens cada vez mais personalizadas, pela análise das informações a respeito do que temos comprado ou buscado.

A loja física pode incorporar uma série de características do comércio on-line. Não é difícil por exemplo, "reconhecer" o cliente assim que ele entra na loja - desde que esteja com seu celular -

utilizando, por exemplo, NFC (Near Field Communication) para estabelecer conexão com ele e enviar as informações mais apropriadas a seu perfil.

É possível continuar "conversando" com o cliente sobre o que ele procura ou sobre sugestões de ofertas, assim como enviar-lhe automaticamente dados sobre os produtos exibidos nos manequins dos quais se aproxima.

Além disso, etiquetas cada vez mais "inteligentes" podem propiciar uma série de informações sobre os produtos que o cliente examina. E até, caso não haja na loja o produto desejado, indicar a loja mais próxima onde pode ser encontrado.

Informações adicionais sobre o uso ou funcionamento de determinados produtos podem ser oferecidas também, de modo atraente e didático, por meio de vídeos em telas colocadas nas lojas, empregando-se a tecnologia conhecida como digital signage, ou sinalização digital, hoje já bastante disseminada.

E que tal oferecer uma seleção musical para que o cliente escolha o que quer ouvir enquanto faz suas compras?

Estamos falando aqui, na verdade, do simples uso da criatividade para uma atualização das lojas físicas, como elas existem hoje - pois as possibilidades citadas são apenas alguns exemplos de uso de tecnologias já perfeitamente correntes no dia a dia da nossa sociedade. Como venho dizendo, tecnologia também é arte. E para usá-la com eficiência nos negócios é preciso ter imaginação.