OPINIÃO
01/10/2014 16:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Levy, Belo e Direito ao Casamento

Men kiss during a protest against the homophobic comments of presidential candidate Levy Fidelix, in Sao Paulo, Brazil, Tuesday, Sept. 30, 2014. Fidelix a minor character in Brazil's election race faced a firestorm of criticism on Monday after saying during a presidential debate that the country needs to stand up against gay people who should receive psychological help far away from the general population. The comments drew no reaction from the leading candidates during the nationally televised debate late Sunday. But online and on social media tens of thousands of people denounced Fidelix as homophobic and hateful. (AP Photo/Nelson Antoine)
ASSOCIATED PRESS
Men kiss during a protest against the homophobic comments of presidential candidate Levy Fidelix, in Sao Paulo, Brazil, Tuesday, Sept. 30, 2014. Fidelix a minor character in Brazil's election race faced a firestorm of criticism on Monday after saying during a presidential debate that the country needs to stand up against gay people who should receive psychological help far away from the general population. The comments drew no reaction from the leading candidates during the nationally televised debate late Sunday. But online and on social media tens of thousands of people denounced Fidelix as homophobic and hateful. (AP Photo/Nelson Antoine)

Todos os dias, um rapaz passava pela mesma rua, voltando a pé do trabalho. Ele sempre via, da janela de uma casa no caminho, uma moça olhando para a rua. Começaram trocando olhares, acenos e, inexplicavelmente como é, ele se apaixonou por ela.

Era a época da novela "O Cravo e a Rosa". A moça deixava a TV ligada, mas não se interessava muito, pois preferia ficar olhando pela janela o rapaz bonito que voltava do trabalho e sorria para ela. Da novela, toda hora vinha aquela música do Belo e, inexplicável como é, ela também se apaixonou por ele.

O rapaz, tímido, tomou coragem e, um dia, foi falar com ela. A afinidade foi crescendo, eles começaram a namorar e ele, muito católico, pediu a mão da moça em casamento pouco tempo depois.

Porém, ela era cadeirante e o padre da igrejinha que o rapaz freqüentava se recusou a celebrar o casamento porque "aquela união não geraria filhos". Eles ficaram inconsoláveis, o amor entre eles era impossível. Até que surgiu a ideia de enviar uma carta para o Vaticano pedindo autorização ao Papa para que aquela união se sacramentasse. Eles enviaram a tal carta, o Papa autorizou e eles se casaram ao som da mesma música do Belo que tocava na novela quando eles se conheceram.

Hoje, eles vivem juntos com os três filhos, pois descobriram que a moça poderia sim engravidar.

*

Uma pessoa tem o direito de não se casar com outra por princípios religiosos ou por qualquer outro que lhe dê na telha. Eu, por exemplo, não entendo como alguém escolhe se casar ao som de Belo. Mas eu não faço lobby para que leis proíbam pessoa se casarem ao som de música brega. É contra o casamento gay? Problema é seu, não se case com alguém do mesmo sexo que você. Mas não tente evitar que outras pessoas o façam.

O governo Dilma não foi nem de longe um bom governo em relação aos direitos LGBTs. Mas, semana passada, ela defendeu na ONU a criminalizarão da homofobia e, se isso já tivesse sido feito, um dos candidatos à presidência teria saído preso ontem do debate. Porque dizer "nós somos minoria, vamos para cima deles" não é expressar uma opinião, é propor violência contra um grupo. Hitler não fez diferente. Porque associar homossexualidade à pedofilia não é expressar uma opinião, e, se alguém tem graves problemas aqui, esse alguém é um candidato à presidência que não vê diferença entre adultos terem uma relação consensual e um adulto abusar de uma criança.

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Esse canalha não vai ser presidente da república, mas fato é que muitos deputados federais e estaduais estão sendo eleitos com um discurso muito parecido com o dele. Por isso, eu peço: antes de votar, pesquise qual a posição do seu candidatado sobre os direitos LGBTs. Pesquise qual a orientação de seu partido sobre este assunto. Pode não parecer importante, mas quando algum maluco influenciado por um discurso de ódio atacar alguém com lâmpadas ou morder a orelha de um pai que esteja abraçando seu próprio filho na rua, pode ser alguém que você ama. Se você ainda estiver em dúvida, este site pode te ajudar a escolher: http://www.votelgbt.org/

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