OPINIÃO
19/05/2014 10:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Um brasileiro criativo (e revolucionário)

Um brasileiro criativo está liderando o projeto capaz de revolucionar a lógica de uma indústria de US$ 200 bilhões: assistir televisão.

Enquanto a Apple, empresa com o maior valor de mercado do mundo, procura desesperadamente pelo substituto de Steve Jobs, o Google, segunda empresa mais valiosa do planeta, escolheu um criativo brasileiro para liderar um projeto capaz de revolucionar a lógica de uma indústria de US$ 200 bilhões: assistir televisão.

Afinal, desde a criação do YouTube em 2005, o jeito tradicional de assistir televisão (ou de consumir conteúdo audiovisual) entrou em decadência. Um grande exemplo disso é que 32 milhões de pessoas assistiram à final mundial do game League of Legends pela internet, número três vezes maior do que a audiência do episódio final da premiada série Breaking Bad na televisão a cabo dos EUA.

O resultado dessa revolução é que pela primeira vez na história, as empresas americanas investiram mais em anúncios na internet do que na TV. Em 2013 os investimentos em publicidade digital no país foram de US$ 42,8 bilhões, contra US$ 40,1 bilhões na televisão. Um crescimento de 17%, segundo a consultoria PwC.

Não à toa, na semana passada, este brasileiro atingiu a quarta colocação em um dos rankings de maior prestígio no mundo, o 100 Most Creative People in Business, que define um grupo influente e diverso de homens e mulheres criativas em toda a economia ao redor do globo, a melhor já alcançada por um criativo do Brasil na história da premiação.

Trata-se de Mario Queiroz, vice-presidente de gestão de produtos do Google, empresa que cria desde ferramentas de busca a robôs com inteligência artificial, passando por sistemas operacionais para celulares, geolocalização e compartilhamento de vídeos. Foi incumbida a ele a missão de lançar um dispositivo que reproduzisse conteúdos de áudio e vídeo em TVs de alta definição por streaming via conexão Wi-Fi e que libertasse, definitivamente, as pessoas para escolher o que, quando e onde querem assistir seus vídeos favoritos.

O resultado? Em 18 meses nasceu o Chromecast. Com o tamanho de um pendrive e custando somente US$ 35 nos EUA, o dispositivo ficou esgotado por várias semanas e manteve-se como produto eletrônico mais consumido na Amazon por meses, vendendo mais do que o Kindle, da própria Amazon.

Mario Queiroz, 48 anos, o criativo brasileiro por trás de algoritmos e aplicativos do futuro, pai de duas filhas e residente em Los Gatos, formou-se em Stanford, no Vale do Silício, em engenharia elétrica, trabalhou na Hewlett-Packard por 16 anos e, há 7, é vice-presidente do Google.

Mas o que faz Mario Queiroz atingir um lugar tão especial?

Além de muita criatividade, competência técnica e visão, ele faz parte de uma empresa que tem como premissa em sua filosofia o foco na vida das pessoas. De acordo com a página de apresentação do Google, o primeiro valor na cultura da organização é:

1. Concentre-se no usuário e tudo mais virá: Desde o começo, nosso enfoque foi fornecer a melhor experiência do usuário possível. Seja criando um novo navegador da Internet ou uma pequena mudança no visual da página inicial, tomamos todos os cuidados para garantir que essas mudanças servirão, em última análise, o usuário em vez de nossa própria meta.

E que fica ainda mais claro nas próprias palavras de Mario Queiroz, em uma entrevista concedida, ainda em 2010, para a Revista Trip:

"A nossa intenção é dar um valor adicional ao consumidor e oferecer informação que seja relevante ao usuário (...) e a gente não vai ter sucesso se isso não significar benefício para o usuário (...) Passo meus dias pensando que as pessoas não estão prontas para a revolução que vai acontecer logo mais."

Quatro anos depois e às vésperas da Copa do Mundo no Brasil, parece que essa revolução chegou. E ela é de um brasileiro que trabalha todos os dias para qualificar a experiência de vida das pessoas ao redor do planeta.

Assista ao vídeo de lançamento do Chromecast a partir do 41:15"