OPINIÃO
23/04/2014 13:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:24 -02

Criatividade transformadora

Em uma economia global com rápidas transformações, enquanto a criatividade atinge um novo status de relevância, alguns setores da economia utilizam a criatividade de forma intensiva e com um grau particularmente elevado de especificidade profissional.

Henrik Sorensen via Getty Images

Neste início de século 21, a criatividade tornou-se matéria-prima fundamental para a transformação da realidade econômica e social de diversos países. O novo papel estratégico da criatividade trará implicações profundas para o desenvolvimento sustentável em um ambiente cada vez mais instável do ponto de vista político e ambiental.

Para os países desenvolvidos, o potencial criativo já é uma vantagem para melhorar a competitividade de setores tradicionais da economia, gerando inovação e ampliando os fluxos de exportações comerciais. Em termos gerais, a quantidade e a qualidade do "capital humano" de um país definirá os parâmetros para o sucesso no século 21. E a criatividade é reconhecida, cada vez mais, como um ativo estratégico dentro deste cenário.

Em uma economia global com rápidas transformações, enquanto a criatividade atinge um novo status de relevância no processo de produção de bens e serviços, alguns setores da economia utilizam a criatividade de forma intensiva e com um grau particularmente elevado de especificidade profissional. Esse conjunto de setores é chamado de Economia Criativa.

A Economia Criativa é, segundo o Ministério da Cultura, o conjunto de setores cujo ciclo de criação, produção, distribuição e consumo de bens ou serviços têm como processo principal uma atividade criativa capaz de gerar a dimensão simbólica determinante para seu valor, resultando em geração de riqueza cultural, econômica e social.

De acordo com o Banco Mundial, estima-se que os setores da Economia Criativa são responsáveis por mais de 7% do produto interno bruto mundial e deverão crescer em média 10% ao ano. Alguns desses setores já lideram a economia de alguns países da OCDE, com taxas de crescimento entre 5% e 20%. No Reino Unido, por exemplo, os setores da Economia Criativa já representam receitas em torno de US$ 190 bilhões e mais de 1,32 milhão de empregos, de acordo com o governo britânico.

Diversos outros países desenvolvidos como Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Suécia, também têm sido bem sucedidos em explorar sua posição nestes setores e estão cada vez mais interessados em utilizá-los como porta de entrada para uma nova economia baseada na informação, na inovação e na sustentabilidade.

A Economia Criativa já contribui para a expansão da geração de emprego em alguns países desenvolvidos, mas o seu maior potencial de transformação está nos países em desenvolvimento. Há uma necessidade urgente, portanto, de modernizar os setores e fortalecer as capacidades locais, a fim de aumentar sua contribuição para a a geração de renda e, consequentemente, para a redução das desigualdades.

De acordo com os estudos realizados pela UNCTAD e mais recentemente pela UNESCO, o potencial dos setores da Economia Criativa nos países em desenvolvimento é enorme. A criatividade está profundamente enraizada no contexto cultural de cada país. Afinal, é evidente a excelência em expressão artística e abundância de talento criativo nos mais diversos países.

Com dedicação eficaz, essas fontes de criatividade podem abrir novas oportunidades para os países em desenvolvimento e aumentar suas participações no comércio mundial em novas área de criação como o design, a moda ou a produção de conteúdo audiovisual.

Esse países terão o desafio de criar políticas para a valorização da Economia Criativa, reconhecendo a importância de seus ativos intangíveis, processos de licenciamento, princípios empresariais e de gestão, formas de regulação e significativa dedicação à propriedade intelectual. Isso exigirá um tipo estratégico de pensamento sobre as políticas públicas, em nível nacional e internacional, associado muitas vezes, inclusive, com as políticas industriais mais tradicionais.

Recentemente, o Brasil reconheceu o valor da Economia Criativa para o desenvolvimento econômico sustentável e criou, a partir da Secretaria de Economia Criativa, no âmbito do Ministério da Cultura, o Plano de Políticas, Diretrizes e Ações para o desenvolvimento da Economia Criativa com o intuito de garantir à criatividade brasileira o seu merecido valor e todo o seu potencial transformador.

E você, já está preparado para usar sua criatividade a favor da transformação e impactar positivamente a sociedade?