OPINIÃO
22/05/2014 10:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Está na hora de mudar a nossa visão sobre adultério e casamento?

Na sociedade de hoje, o casamento acontece quando duas pessoas apaixonam-se e decidem passar o resto da vida juntos em um relacionamento monogâmico. Mas sabia que nem sempre foi assim?

Na sociedade de hoje, o casamento acontece quando duas pessoas apaixonam-se e decidem passar o resto da vida juntos em um relacionamento monogâmico. Mas sabia que nem sempre foi assim? Na verdade, a versão moderna do casamento surgiu há apenas duzentos e poucos anos atrás. No passado, o casamento raramente estava relacionado ao amor (a maioria dos casamentos era arranjada de acordo com a renda e status social das famílias), e a maioria das sociedades permitiam e até esperavam casamentos plurais, seja com várias esposas ou vários maridos.

Sem dúvida, o conceito de casamento tem mudado bastante com o passar do tempo. Com a taxa de divórcio atual atingindo de 40% a 50% das relações, juntamente com a presença do adultério em muitos casamentos, talvez a hora tenha chegado para o conceito do casamento continuar a evoluir. De acordo com a Associated Press, a publicação sobre terapia de casais e família Journal of Marital and Family Therapy afirma que 41% dos cônjuges admitem a infidelidade, seja ela física ou emocional. Isso me leva a perguntar, "Será que realmente fomos feitos para nos envolvermos com apenas uma pessoa durante toda a nossa vida? E se não, temos que casar cinco vezes? Existem formas alternativas de perceber e participar de um casamento que garantirão o seu sucesso?".

Talvez o adultério seja inevitável

Centenas de anos atrás, a expectativa de vida era apenas uma fração do que ela é hoje. Quando duas pessoas se casavam com vinte e poucos anos, era bem possível que uma das duas estaria morta dentro de 10 a 15 anos - muitas vezes, bem antes disso. Mas nos dias de hoje, esse mesmo jovem casal pode acabar vivendo junto por 60 anos ou mais! Será que estamos sendo realistas ao pensar que duas pessoas podem manter a compatibilidade emocional, mental, física e sexual por tanto tempo? Eu já soube de vários casamentos que duraram tanto tempo, alguns até bem felizes, que é maravilhoso. No entanto, esses casos são bem raros.

Não me leve a mal... Eu não estou aprovando o adultério como nós o conhecemos nos dias de hoje, pois não falo apenas de sexo. Mas já que ele é um grande tabu, quando consideramos o contexto histórico do casamento, será que ficarmos chocados com o adultério não é um tanto exagerado?

Claro, ninguém pode negar que, quando você mente e faz algo sem que a outra pessoa saiba, você está fazendo algo errado. Você está quebrando um acordo, e isso é falta de integridade. Você está traindo a confiança da outra pessoa, o que é doloroso para qualquer um. Mas no decorrer de um relacionamento de longo prazo, considerando as realidades práticas da necessidade humana de vivenciar a vida por si só ou através de experiências em outros relacionamentos platônicos ou românticos, quem sabe possa surgir um novo tipo de diálogo com o seu cônjuge ou parceiro, onde os dois comunicam as suas necessidades e estabelecem parâmetros razoáveis e práticos do que é e do que não é permitido no seu casamento, para que os comportamentos negativos e ocultos associados com o adultério não aconteçam.

Uma visão evolutiva do casamento

Como o casamento evoluiu tanto com o passar do tempo e diferentes culturas podem ter visões distintas dele ainda hoje, talvez esteja na hora dessa antiga instituição evoluir mais uma vez. Talvez a medida de um casamento de sucesso não deva ser a monogamia ao longo de décadas. Ao invés disso, deveria ser uma comunicação entre parceiros que estabeleça como o casamento deles especificamente deva ser, o que será aceitável ou não.

Por exemplo, a maioria dos casais que acabam fazendo terapia comigo dizem que se acomodaram. Um deles, ou os dois, já desistiram do relacionamento, mas não querem o divórcio pelo bem dos filhos. Ou o casal ainda se ama, cada uma das partes entende o outro como alguém que lhe apoia e como um amigo próximo, mas não sente mais a atração sexual de antes. Ou um dos dois sente a necessidade de ter um tempo a sós para trabalhar questões próprias, longe das responsabilidades que um relacionamento exige. Em qualquer um desses casos, todos estão frustrados pelas limitações que lhe foram impostas pelas expectativas tradicionais do casamento.

Sempre peço aos meus clientes que criem uma visão, um plano de como querem que o casamento deles seja e quais condições os dois aceitam. Isso permitirá que o relacionamento cresça dentro dos limites que eles, como um casal singular, estabeleceram para o casamento. Um dos casais com que trabalho passou um ano separado. Outro casal decidiu que os dois viveriam separados, mas continuaram sendo grandes amigos, pois gostavam muito da amizade que tinham, mesmo tendo a paixão acabado. E advinha o que aconteceu com esses dois casais depois de um tempo? Eles reataram, pois se permitiram ter aquele espaço para respirar e sentiram que o simples fato de ter a liberdade de fazer o que queriam naquele momento acabou direcionando a energia deles para o parceiro(a) original. Às vezes, como diz o ditado, "longe dos olhos, perto do coração". Talvez o período de "abstinência" tenha os aproximado novamente.

Cultivar esse tipo de transparência ao avaliar o relacionamento é um dos segredos para a felicidade e diminui a vergonha de esconder os seus desejos e necessidades do seu parceiro(a). Se o casamento é uma união sagrada, então devemos ao nosso parceiro(a) essa sinceridade, por mais complicadas que sejam as expectativas individuais do outro.

No meu trabalho como coach de vivência e professora espiritual em Hollywood, trabalho com muitos clientes que estão se divorciando e que consideram o adultério como a principal causa. E quando eu pergunto por que o adultério aconteceu, a pessoa que traiu geralmente explica que sentia uma desconexão emocional com o(a) parceiro(a) e se sentia presa - não havia mais comunicação entre eles. Imagine quantos divórcios e corações partidos poderiam ser evitados se a nossa cultura aceitasse esse tipo de comunicação aberta - o tipo de aceitação que permite que o casamento evolua para algo com o qual os dois concordem, ainda que não seja o que a sociedade tradicionalmente espera do casamento?

Se vamos ampliar ou evoluir na definição do casamento a fim de incorporar realidades modernas, a comunicação é o primeiro passo. Para isso acontecer, recomendo a todos que conversem com o cônjuge ou parceiro hoje, e juntos criem uma definição de como será o casamento. Sim, realmente é simples assim... E é a maneira mais eficiente de garantir um relacionamento feliz e saudável.

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