OPINIÃO
21/10/2014 19:31 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

10 verdades brutais sobre ser uma madrasta

Les and Dave Jacobs via Getty Images

Basta uma olhada rápida em minha biografia no meu blog para saber que sou uma mãe postiça -- mas quase nunca escrevo sobre isso.

Tive vários ótimos motivos para evitar esse tema. Um é que não sou a mãe de minhas enteadas, e se fosse acho que não ficaria muito feliz se elas tivessem uma madrasta que escrevesse sobre suas vidas em seu blog. Dois, na maior parte do tempo desde que comecei o blog, minhas enteadas eram adolescentes e certamente não precisavam ou queriam que eu escrevesse sobre elas naquele momento delicado de suas vidas. Três, escrever sobre a maternidade adotiva enquanto você está nas trincheiras dela é parecido com escrever sobre o divórcio quando você está passando por ele -- as emoções correm desenfreadas e muito poucos escritores podem conduzir o tema com graça e objetividade. Quatro, e este foi um grande motivo: muitas vezes me senti a pior madrasta do mundo. Falo sério: a pior do mundo.

E quem quer escrever sobre isso?

Para ser justa, as coisas começaram muito bem. Minhas enteadas e eu nos entendemos desde o instante em que nos conhecemos, e os primeiros dois anos de família mista foram realmente incríveis. Mas então veio a puberdade. E as garotas vieram morar conosco sete dias por semana. E eu tinha duas crianças pequenas. De repente, senti que meu relacionamento com minhas enteadas estava se desintegrando -- e nada que eu fizesse ou não fizesse parecia ajudar as coisas. Eu pensava que era tudo minha culpa, e fiquei tão envergonhada com meu fracasso que durante anos não contei para ninguém o que estava acontecendo. Em retrospectiva, foi um enorme erro. Foi somente alguns anos atrás que confidenciei meus sentimentos de fracasso a um consultor, que prontamente me informou que o que minha família e eu estávamos experimentando na verdade era muito comum. Quase sempre há um período de lua-de-mel, disse ele. E então os demônios se libertam.

Sério? Como eu não sabia disso?

De alguma forma, todos nos arrastamos pela adolescência e chegamos ao outro lado. Hoje, tempo e aconselhamento me deram uma perspectiva muito necessária, e agora que minhas meninas mais velhas estão quase por conta própria eu me sinto pronta a escrever mais sobre o tema no meu blog -- o que é bom, acho, porque recebo muitos e-mails de madrastas pedindo conselhos. Mas saiba desde já que vou limitar esse assunto e seus detalhes à minha história, e não à história de minhas enteadas ou de sua mãe. Essa é para elas contarem, se quiserem.

Então, vamos começar por dez verdades brutais que aprendi em meus 11 anos (até agora) de mãe adotiva, verdades que toda nova madrasta ou mulher que pensa em se tornar uma deve considerar. Você pode concordar ou não, tudo bem. Isso é simplesmente o que eu aprendi com minha experiência.

1. Você não é a mãe delas. Ou sua "Mãe Bônus". Mesmo que seu marido tenha a custódia principal das crianças. Mesmo que sua mãe biológica raramente as veja. Mesmo que elas a chamem de mamãe. Não cometa o erro de realmente acreditar que você tem os mesmos direitos e privilégios que a mulher que as deu à luz, porque não. Você pode ter um relacionamento significativo, amoroso e influente com seus enteados, mas será diferente daquele entre mãe e filho. Está bem. Abrace-o e faça o máximo dele.

2. O silêncio é a melhor política. Vivemos em um mundo em que todo mundo gosta de comentar sua vida, seja no Facebook, no telefone ou durante um encontro de amigas, mas acredite-me -- ninguém gosta de ouvir uma madrasta falar sobre a ex-mulher de seu marido ou seus filhos postiços. O divórcio é uma das coisas mais devastadoras que uma pessoa pode sofrer, e ninguém precisa ouvir de você como a ex-mulher está lidando com isso ou como seus filhos estão agindo. Uma das partes mais difíceis de ser uma madrasta é a necessidade de ficar quieta sobre coisas difíceis e como isso afeta você. Se você tiver de se expressar, limite seus pensamentos a uma amiga muito íntima e confiável ou, ainda melhor, ao seu terapeuta. O que nos leva ao número 3.

3. Encontre um terapeuta ou conselheiro, mesmo que você ache que não precisa. Meu marido e eu só procuramos um conselheiro quando já estávamos casados havia oito anos, o que foi um enorme erro. Eu fui para a primeira sessão pensando que era uma madrasta horrível e que nossos problemas em criar as meninas eram únicos e insuperáveis, e você sabe o que o conselheiro nos disse? "Vocês estão se saindo muito bem! Sabem que eu ouço exatamente os mesmos problemas de quase todas as famílias mistas que entram nesta sala? Vocês sabem que 70% dos casamentos de famílias mistas falham? Vocês quase conseguiram dar certo! Vocês estão se saindo muito bem!" Eu realmente, realmente, precisava ouvir isso. Ver um conselheiro me ajudou a parar de me punir e me permitiu perceber que o que estávamos experimentando era na verdade normal. Para mim isso mudou tudo. Talvez você precise visitar alguns conselheiros ou terapeutas até encontrar o certo. Prepare-se para procurar até encontrar alguém com quem você e seu marido se sintam à vontade.

4. Não tem problema dar um passo atrás. Isso foi inicialmente duro para mim, porque eu pensava que minhas meninas precisavam que eu agisse como se fosse sua mãe. ERRADO. Lembram do número 1? Eu não sou a mãe delas, e agir como se fosse provavelmente causou ressentimento e confusão nas duas extremidades. Agora acredito que uma boa madrasta está física e emocionalmente disponível quando seus enteados precisam e querem estar com ela, e quando eles não querem ela recua e se torna uma apoiadora de seu marido nos bastidores.

5. Proteja seu casamento a todo custo. Você e seu marido precisam ser o refúgio um do outro, especialmente quando você está tendo problemas com seus filhos ou enteados. Se os problemas de criação dos filhos os estão separando, identifique exatamente o que prejudica seu casamento e proteja seu relacionamento nessa área de maneira imediata e incansável. Um conselheiro pode ser ótimo para ajudá-la nisso. Em última instância, proteger zelosamente seu casamento beneficia a todos -- seus enteados precisam ver que você e seu marido ficam juntos e lutam por seu relacionamento, mesmo em tempos difíceis. Isso vai lhes ensinar a fazer o mesmo algum dia.

6. Não se compare a outras madrastas. Você vai conhecer outras mães postiças que não param de se gabar de seus relacionamentos maravilhosos com seus enteados. "Eles me contam todos os seus segredos! Eles me dizem que me consideram sua verdadeira mãe! Eles convenceram a cidade a realizar uma parada em minha honra", etc. Não deixe que isso a pegue. Lembra-se do que eu disse antes? Mais de 70% dos casamentos de famílias mistas falham. Garota, você não precisa de uma parada. Você está mantendo a família junta. Você é ótima!

7. Não faça o jogo da culpa. Talvez você, assim como eu, tenha passado muito tempo se criticando sobre suas falhas como madrasta. Ou talvez você pense que seus problemas conjugais são todos culpa de seus enteados. Talvez você até pense que seu marido é o culpado, porque ele sempre parece ficar do lado deles. Realisticamente, é provável que todos vocês sejam culpados em parte pelos problemas de seu relacionamento. Você não pode mudar os outros, mas pode mudar a si mesma. Trabalhe nisso e espere que seus esforços inspirem os outros membros de sua família a também se esforçarem mais.

8. Perdoe a si mesma. Madrasta, vamos entender direito uma coisa. Você vai cometer muitos erros, muitos! Por favor, não faça o que eu fiz e passe anos convencendo a si mesma de que há algo muito errado com você porque você parece estragar tudo. Perdoe a si mesma. Muitas e muitas vezes. Perdoe-se. E siga em frente.

9. Você não pode consertar o que você não quebrou. Meu próprio padrasto me disse isso alguns anos atrás. Eu gostaria de ter ouvido isso muito mais cedo, porque passei anos tentando fazer muitos consertos. Eu realmente pensava que poderia solucionar tudo se me esforçasse o bastante. Que desperdício de energia! Muitos problemas que uma família mista enfrenta vêm do divórcio, pelo qual a madrasta (possivelmente) não teve nada a ver. Por mais que você seja maravilhosa, não pode consertar isso.

10. Fique firme e saiba que você sairá disso uma pessoa melhor. Agora que eu criei minhas enteadas e tive tempo de analisar a experiência, sinto que passei por uma série de tremendos desafios emocionais e cheguei à meta final realmente modificada. Estou mais sábia, mais gentil comigo mesma. Sou mais relutante em julgar os outros. Sou uma esposa e mãe muito melhores do que teria sido sem minhas enteadas. Nossa família ainda é uma obra em progresso, mas o pior já passou. Nós conseguimos. E a experiência realmente acabou sendo uma enorme lição para meu marido e para mim.

Certamente não quero fazer parecer que uma madrasta é só dificuldades, porque não é. Nós tivemos muitos momentos maravilhosos juntos. Eu mudaria muitas coisas que fiz como madrasta, se pudesse voltar no tempo, mas não desistiria da minha família mista. Ainda acredito que estou aqui por um motivo. Todos somos imperfeitos. Todos temos o potencial de ser incríveis. Todos trabalhamos para alcançar esse potencial, em nosso próprio tempo e à nossa própria maneira. Aprendemos mais sobre os outros conforme seguimos. Todos estamos confusos, mas somos uma família.

Uma família! Afinal, é isso que importa.

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