OPINIÃO
25/04/2018 16:00 -03 | Atualizado 25/04/2018 16:47 -03

Rede Héstia: Paixão por conectar mulheres

Em comum todas essas mulheres procuram no dia a dia afastar a competitividade e julgamento e aprender umas com as outras.

Lígia Brás

Em um tempo que as causas feministas estão cada vez mais em destaque no mundo todo, seja através de campanhas contra o assédio ou a favor da equiparação salarial entre homens e mulheres nas empresas, um desconforto envolvendo o universo feminino e seus anseios tomou conta da publicitária paulistana Luciana Sato.

Ela estava em um encontro para mulheres e a palestrante perguntou sobre características femininas. Muitas responderam: objetividade, determinação, foco em resultados.

Eu achei estranho não ter ninguém que falasse algo mais voltado às pessoas, ao cuidado, ao relacionamento e à conexão.

Nessa mesma época, o marido de Luciana ficou desempregado e os amigos que mais o ajudaram emocionalmente ou por meio de networking foram aqueles amigos ligados a uma comunidade de motos da qual ele fazia parte.

Achei muito legal a questão de irmandade entre eles e pensei que eu queria pertencer a um grupo como esse.

Sem encontrar algo mais voltado ao acolhimento e ajuda nos grupos que já participava, Luciana resolveu transformar o seu desconforto e a sua paixão por conectar pessoas em uma iniciativa que tivesse menos discursos e mais resultados. Em fevereiro de 2017 nasceu a Rede Héstia.

Héstia, figura da mitologia grega, representava a harmonia do lar, das relações familiares. O nome foi escolhido porque além de ser uma Deusa, representando o feminino, Luciana queria construir uma rede de conexões entre mulheres que fluísse com harmonia e fosse como uma grande família, sem disputas e vaidades.

No início ela montou um grupo simples no Facebook e adicionou algumas amigas, ex-colegas e colegas. Mas essas mulheres foram chamando outras mulheres e o grupo foi crescendo. Em comum todas essas mulheres procuram no dia a dia afastar a competitividade e julgamento e aprender umas com as outras.

O maior objetivo da rede é esse: conectar as mulheres em seus desafios, apoiando e sendo apoiada por elas. Essa é uma das coisas que me motiva todos os dias. Saber que posso impactar positivamente a vida de outras pessoas

Apesar de reunir mulheres do Brasil todo e de outros países, em determinado momento a rede passou a ter encontros presenciais com cada vez mais participantes.

Nos encontros presenciais, as participantes se tornam palestrantes e abordam várias temáticas do dia a dia das mulheres. Na página no Facebook, os depoimentos mostram o entusiasmo e otimismo que toma conta das integrantes depois de cada encontro.

Luciana afirma que a palavra sororidade tão usada atualmente é colocada de fato em prática na Héstia porque as conexões são fortes e reais.

Uma participante que estava em busca de recolocação no mercado de trabalho contou no grupo da rede social o momento que estava passando e conseguiu por indicação de outra participante uma vaga em uma grande empresa. Outro caso que Luciana gosta de lembrar envolveu uma conexão internacional:

"Uma amiga divulgou o trabalho dela de costura de vestidos para o projeto Dress a Girl Around the World e ela se conectou com outras amigas da rede. Conclusão: minha amiga que mora nos EUA costurou mais de 100 vestidos e a minha outra amiga criou um outro grupo para mobilizar as amigas. Elas têm feito oficinas e têm enviado vestidinhos para a África. A última remessa foi para Madagascar!"

Mas nem só de networking vive a rede. A Héstia já teve encontros para debater ciência, tecnologia, coaching ontológico, deusas, automaquiagem, autoexpressão e estilo e relacionamentos.

Realizada ao completar um ano de existência, ainda mais se tratando de uma iniciativa que não é movida a lucros e tem cada vez mais entusiastas, Luciana planeja a estruturação de um site em que estarão organizados os conteúdos gerados pela rede, de forma que o acesso a esses conteúdos aconteça com mais facilidade.

Ela também gostaria de trabalhar em mais projetos com apoio das empresas que queiram levar esse tipo de conteúdo e experiência para o ambiente corporativo.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade