OPINIÃO
10/10/2014 13:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Presente do dia das crianças: prioridade à CPI da Pedofilia do AM

SIHANOUKVILLE, CAMBODIA - 2010/07/24: The 'adopted' son of a 63 year-old Swedish man convicted of pedophilia, now lives with his mother and younger brother in a small room outside the resort of Sihanoukville. The first time the boy met the Swede, he was nine years old. He then received money for his education from the Swede, and they even made several trips abroad together. During the trial, he testified against the Swede telling the court that he had been sexually abused for years. Today, he has taken back his accusations, 'My father has not done anything with me. He was a good father.' His 'father' will find out on Friday 13th 2010 whether the US $11,000 bribe he has boasted of having paid to four Cambodian judges will overturn his six and a half year sentence and set him free. In January 2010 his conviction came as a result of investigative work by an NGO, Action Pour Les Enfants (APLE) formed in 2003. Cambodia's reputation as being a sex paradise for foreigners along with its lax legal system, has acted as a magnet to pedophiles.. (Photo by Jonas Gratzer/LightRocket via Getty Images)
Jonas Gratzer via Getty Images
SIHANOUKVILLE, CAMBODIA - 2010/07/24: The 'adopted' son of a 63 year-old Swedish man convicted of pedophilia, now lives with his mother and younger brother in a small room outside the resort of Sihanoukville. The first time the boy met the Swede, he was nine years old. He then received money for his education from the Swede, and they even made several trips abroad together. During the trial, he testified against the Swede telling the court that he had been sexually abused for years. Today, he has taken back his accusations, 'My father has not done anything with me. He was a good father.' His 'father' will find out on Friday 13th 2010 whether the US $11,000 bribe he has boasted of having paid to four Cambodian judges will overturn his six and a half year sentence and set him free. In January 2010 his conviction came as a result of investigative work by an NGO, Action Pour Les Enfants (APLE) formed in 2003. Cambodia's reputation as being a sex paradise for foreigners along with its lax legal system, has acted as a magnet to pedophiles.. (Photo by Jonas Gratzer/LightRocket via Getty Images)

Nas redes sociais um cartaz com as fotos dos deputados estaduais do Amazonas que foram contra a CPI da Pedofilia na Assembléia Legislativa virou lixo eleitoral: todos foram reeleitos. O Estado onde moro ganhou um título vergonhoso, quando membros da CPI da Pedofilia nacional viram aqui: "o Amazonas é o paraíso da pedofilia", frase dita pela deputada federal (reeleita) Liliam Sá (PR-RJ), relatora daquela CPI.

Conversei com dois dos deputados estaduais reeleitos, que tergiversaram na resposta sobre a criação da CPI local e votaram contra à época (estavam no cartaz). Eles justificaram que a CPI seria mais eficiente depois da eleição porque, durante, os olhares dos parlamentares estariam em suas próprias campanhas. Sempre o mais importante, o deles, para depois, o coletivo.... "Mas precisamos do mandato para lutar pelo coletivo". Que difícil conversar com alguns políticos, não é?

Durante o período eleitoral, foi incansável o trabalho do deputado Luiz Castro (que foi reeleito), autor do requerimento que criou a CPI e hoje membro da comissão. Com sua equipe, ficou checando os extratos bancários das contas da Prefeitura de Coari, do prefeito afastado daquele município, Adail Pinheiro, do atual prefeito (e ex-vice-prefeito), Igson Monteiro (PMDB) e do advogado Francisco Balieiro. Agora é urgente que todos os membros se unam para dar uma resposta e propor punições ainda este ano, para não acabar em pizza mais essa CPI.

Tem gente que é do sudeste e sul e tem dificuldades em geografia, por isso sequer sabe distinguir o que é norte e nordeste. Para estes, que levitam ao redor de seus umbigos, se leem os relatos de Milton Hatoum sobre as meninas empregadas (e escravas sexuais) menores de idade devem achar que é licença poética. Mas não é, a crua realidade. Desde que o Amazonas está no mapa e até hoje é comum meninas de dez, doze anos, chegarem nas casas de família classe média da capital para serem empregadas domésticas. E, claro, amantes dos patrões e primeiro sexo de seus filhos. Sob os olhares cúmplices e de paisagem das donas de casa.

É deprimente e real. Cultural, alguns dizem. Mas se é cultural, quero muito essa cultura doentia longe daqui. Por isso, não fiquei chocada quando a população de Coari hostilizou e tentou expulsar os membros da CPI da Pedofilia nacional. Fiquei envergonhada, como sempre. Há pais, pasmem sulistas, que atuam como cafetões das filhas. É, não é cinema, é vida real. Vendem as meninas por ranchos (cestas básicas), roupas, sapatos. Não acho que seja só a pobreza que os limita, mas principalmente a pobreza de espírito e moral.

Não sei exatamente como "curar" isso, essa tendência doentia de homens por possuir, por fazer sexo com uma criança, com uma adolescente, com alguém tão indefeso e vulnerável. Mas tenho certeza que as igrejas deviam se empenhar mais nessa questão, os assistentes sociais, os psicólogos, as prefeituras que deveriam dar atenção especial a essas populações vulneráveis. Porque o período da infância é para brincar e estudar, não para fazer sexo. Simples assim.

Aqui no Amazonas, vai ter segundo turno assim como à presidência da República. Eu voto em Melo e Dilma (voltei para ela na falta de Marina). Mas a mudança efetiva na política, aquela que o povo queria (?) quando foi às ruas em junho de 2013, depende muito menos dos Executivos e muito mais dos Legislativos. Só que, estranhamente, não houve mudança significativa nem no Congresso e nem nos Legislativos estaduais, nada radical, nada que faça a diferença.

O Congresso ganhou de nós, população brasileira, uma mudança para pior, na verdade: uma bancada sombria e pronta para iniciar um debate diário pontuado de retrocessos e preconceitos. E aqui no Amazonas a Assembleia também não se renovou (embora tenhamos a comemorar com a saída da família Sabino). Espero, de coração, que agora que já garantiram seus mandatos, os parlamentares amazonenses busquem fazer valer a confiança de quem os elegeu, que voltem seus olhares ao que interessa, que leiam e reflitam sobre os tristes depoimentos das crianças violadas. Estão no arquivo, mas não há muito interesse na leitura.

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