OPINIÃO
29/09/2014 15:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Marinei

The presidential candidate of the Brazilian Socialist Party (PSB) for October's presidential election, Marina Silva speaks during a press conference in Rio de Janeiro, Brazil on September 17, 2014. The Brazilian general elections will take place next October 5.  AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA        (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)
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The presidential candidate of the Brazilian Socialist Party (PSB) for October's presidential election, Marina Silva speaks during a press conference in Rio de Janeiro, Brazil on September 17, 2014. The Brazilian general elections will take place next October 5. AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

Votei em Lula desde que ele se candidatou pela primeira vez. Com convicção em suas ideias de Brasil e por paixão. Confesso que sou movida à paixão também em minhas escolhas políticas, mas jamais sem perder a racionalidade (sim, é possível). Entre todas as suas promessas, Lula cumpriu em seus dois governos a mais importante na minha lista de prioridades: reduziu muito a pobreza, a miséria. Fiquei emocionada ao ver recentemente nosso país fora do mapa da fome da ONU.

Votei em Marina no primeiro turno e em Dilma no segundo, em 2010. O único contato que tive com Marina como jornalista foi quando ela veio naquele ano fazer um ato numa igreja evangélica na última campanha presidencial. Sem aquela entourage de candidato favorito, eu, pelo Estadão, e a Daniela Assayag, pela Globo, chegamos cedo e ficamos papeando com a candidata, que nos chamava de "flor", de forma carinhosa e sincera, não era mise em scène.

Marina é daquelas raras pessoas de carisma, de luz, de vá vá voom quando entram numa sala. Pessoas mais sensíveis (ou nem tanto) sentem a diferença só de chegar perto daquele mulher franzina. Naquele dia, queria ter tirado uma foto para mostrar para mamãe e minha filha, dado um abraço, mas trabalhava em um jornal e jamais explicitaria meu voto assim. Hoje posso.

Marina tem carisma. Assim como gente como Lula e Gisele Bundchen, sabe? Se você já teve oportunidade de ficar perto dos dois ou outros carismáticos, sabe do que estou falando sim. Ela é aquilo que aparece na televisão, só que ao vivo é mais sorridente e bem humorada: é gentil, muito humilde e educada. E a gente não falou em política, mas no calor de Manaus, além de ficarmos trocando ideias sobre colares étnicos. Quando foi discursar, aquela vozinha tomou forma de trovão na firmeza de ideias e ideais transparentes.

Agora não vou votar em Dilma não porque a acho uma péssima candidata. Não, ela seria minha opção se Marina não tivesse, pela força do destino (pelos desígnios de Deus, cada um acredita no que quer), virado a cabeça de chapa. Tive uma conversa em julho com a Valéria, que trabalha na campanha de Marina e trabalhou com Eduardo Campos no Recife, onde disse isso a ela, que desistiria no meu voto em Dilma se Marina fosse cabeça de chapa. Porque o voto em Marina, acredito, além de manter a prioridade nos projetos sociais, é o mais verde de todos.

Marina me cativou pelo projeto coerente com seus princípios (mesmo que eu não concorde com alguns deles, especialmente no que diz respeito ao combate aos preconceitos contra homossexuais). Marina me cativou pela resiliência, que ela gosta de orgulhosamente metaforizar com a história de uma árvore amazônica, a biorana. Me cativou pela sinceridade comovente em citar a Bíblia e ser firme em sua fé e crenças evangélicas, mesmo que eu nem tenha uma religião certa. Marina me cativou pela forma firme e brilhante como conduziu o Ministério do Meio Ambiente até sair (sua firmeza me fez votar nela em 2010), e pela sensibilidade que jamais pode ser confundida com fragilidade.

Voto Marina porque nunca antes na história no Brasil houve um candidato com chances de chegar à presidência com mais conhecimento de causa da miséria sui generis do ribeirinho. Sim, é mais esquecido (e desconhecida sua realidade) do que a do nordestino. Voto nela com a mesma lógica em que votei em Lula sempre (e também de meu primeiro voto em Dilma): ela vai ter (e continuar) com esse olhar pelos brasileiros que mais precisam.

Os que mais precisam: essa sempre deve ser a prioridade no país, enquanto ainda existirem pobres e analfabetos. Voto em Marina com a esperança de que, por estarmos agora fora do mapa da fome, também possamos sair de vez do mapa de analfabetismo. E ela tem aqui uma voluntária para trabalhar para alcançar essa meta sublime.

Voto em Marina por outras razões de economês, porque sei que ela vai priorizar a fórmula de nunca crescer os gastos públicos acima do PIB. Formulinha possível, a gente sabe. A inflação está elevada como nunca esteve no governo Lula e, sinceramente, não vejo gestos de que Dilma esteja buscando saídas para isso. E a gente sabe que existem e que não depende só da economia do Obama. Olhem a maluquice que vou escrever: voto em Marina porque vejo muito mais Lula, aquele de 1989, em Marina do que em Dilma.

O Brasil já avançou muito no social e sei que, com Marina, vai continuar avançando. Mas, friso, a ideia de Marina em priorizar a educação me fascina. De ter um olhar verde sobre o Brasil especialmente, friso de novo. De não sair abrindo estradas em nome do progresso sem pensar nos riberinhos, nos animais, na mata a ser devastada. Voto em Marina com mais de 40 razões e muita paixão.

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