OPINIÃO
21/05/2015 11:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Por que não quero perder minhas estrias

Tive a sorte de segurar meu filho nos braços por quase sete meses, mas chegou o dia em que meus sonhos foram destruídos. Meu garotinho me deixou, e agora a única coisa que me resta são cinzas, recordações e estrias.

arquivo pessoal

Hoje passei diante do espelho e fiquei abalada.

Vi meu reflexo por um instante e percebi que meu corpo está pouco a pouco voltando à forma normal, sem protuberâncias extras.

Passei mais de um ano convivendo com pele a mais, marcas a mais e gordura a mais e passei esse tempo todo xingando meu corpo. Não sou magra. Não estou tonificada. Estou muito longe de ter aparência perfeita.

Mesmo assim, eu invejava as pessoas para quem tudo isso é natural - as mulheres que têm um bebê depois de outro e, quinze dias após o parto, voltam a ter um corpinho de maratonista.

Com meu primeiro filho, a amamentação me ajudou a perder o peso adicional rapidamente e em poucos meses eu já estava cabendo novamente em meu jeans favorito. Era como se eu nunca tivesse tido um bebê. Eu tinha tanto orgulho disso!

Com o segundo, mesmo depois de sete meses malhando, meu corpo não queria saber de voltar à forma.

"Não, não estou grávida de novo. Sim, é apenas gordura. Obrigada por chamar minha atenção para isso."

No entanto, quando passei pelo espelho hoje, retrocedi um passo para me olhar. Vi a transformação que está ocorrendo em meu corpo. Minhas estrias estão ficando mais claras. Minha pele está ficando firme outra vez. Minha barriga deixou de parecer a barriga de uma grávida de 12, 20 ou 30 semanas.

Estou ganhando o que eu queria, e você poderia imaginar que eu ficaria feliz com isso. Eu devia estar feliz de estar cabendo novamente em meu jeans, estar com a barriga mais durinha e o corpo mais bonitinho.

Mas não estou.

Não é a primeira vez que passo por isso. Esta vez é diferente. Desta vez, estou triste.

Um pouco mais de um ano atrás, dei à luz ao meu segundo filho, um bebê lindo. Para mim ele era perfeito, mas, medicamente falando, seu coração e seus pulmões não eram. Eu o carreguei em meu ventre por nove meses. Durante esse tempo, enquanto meus pés inchavam e meu coração se enchia de amor, eu sonhava com um futuro com dois garotinhos crescendo lado a lado, sendo os melhores amigos um do outro.

Tive a sorte de segurar meu filho nos braços por quase sete meses, mas chegou o dia em que meus sonhos foram destruídos. Meu garotinho me deixou, e agora a única coisa que me resta são cinzas, recordações e estrias.

Estrias são diferentes para mães que perderam seus bebês.

Enquanto o resto do mundo as rejeita, para nós as estrias são coisas que nos trazem recordações.

Recordações da vida. Recordações do amor. Recordações do vínculo doce entre uma mãe e seu nenê.

Enquanto o resto do mundo troca dicas sobre como perder a barriga de bebê, nós nos agarramos a alguma coisa que nos lembre que carregamos um bebê no ventre, mesmo nos dias em que ninguém pronuncia seu nome. Nossos filhos não foram de faz de conta. Não foram imaginários. Eles existiram. E a dor interior que sentimos tem razão de ser.

Enquanto nossos corações sofrem, eu me lembro que ele passou nove meses crescendo dentro de mim.

As batidas do meu coração eram sua canção de ninar. Ele estava em segurança e já era muito amado. Meu corpo carrega os sinais e os gritos de que ele esteve aqui. Ele esteve aqui. Ele esteve aqui!

Mesmo quando o mundo segue adiante. Mesmo que o mundo se esqueça. Meu corpo me lembra que ele existiu. Meu filho cresceu aqui. Meu filho foi amado e querido por cada segundo de sua vida. Meu filho deixou uma marca permanente neste mundo, mesmo que o único coração que ele tenha tocado tenha sido o meu.

Cada marca. Cada imperfeição. Cada estria. Fico triste de vê-las desaparecer. Fico triste de ver meu corpo voltar a ser como era, porque estou perdendo mais um sinal do amor, da ligação, do vínculo que tínhamos e que ainda temos.

Não quero perder minhas estrias. Elas me lembram da vida, do amor, do meu filho.

Este post apareceu originalmente no Scribbles and Crumbs. Procure Lexi no Facebook,Twitter e Instagram.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.