OPINIÃO
11/05/2014 13:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Tornando Nova Iorque um lugar mais verde

Em 1970, especialistas ambientais perceberam que a poluição global estava saindo do controle. Eles precisavam divulgar suas preocupações para um público maior -- e assim foi criado o Dia da Terra. Ironicamente, os anos 70 hoje começam a parecer os "bons velhos tempos".

Em 1970, especialistas ambientais perceberam que a poluição global estava saindo do controle. Ironicamente, os anos 70 hoje começam a parecer os "bons velhos tempos". Segundo um relatório recente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU (IPCC na sigla em inglês), "aproximadamente a metade de todas as emissões de CO2 derivadas da atividade humana entre 1750 e 2010 ocorreu durante um período de 40 anos a partir de 1970".

Segundo Ottmar Edenhofer, copresidente da comissão que escreveu o relatório da ONU, "se perdermos mais uma década, será extremamente dispendioso alcançar a estabilização do clima". Fazer que os países mais responsáveis pelas emissões de carbono se comprometam com um acordo internacional até agora escapou aos melhores esforços de diplomatas e líderes nacionais.

Felizmente, não há necessidade de um diplomata, um presidente ou primeiro-ministro para fazer a cidade de Nova York entrar em ação. Em 2003, o prefeito Bloomberg aprovou seu ambicioso plano PlaNYC. Ele definiu uma visão para a cidade em 2030 e propôs uma ampla série de políticas -- que vão desde garantir que todos os nova-iorquinos vivam a dez minutos de um parque para promover energias alternativas limpas, geradas individualmente -- para nos ajudar a alcançarmos essas metas.

Durante meu período como presidente da Comissão de Saneamento do Conselho [câmara de vereadores], trabalhei de perto com a administração para tornar mais sustentáveis as políticas de lixo sólido e reciclagem da cidade, incluindo a reciclagem de plásticos expandidos, estabelecendo programas de compostagem residencial e comercial e aumentando de modo drástico as lixeiras para recicláveis em espaços públicos em toda a cidade.

Tendo em mente o progresso da última década, vamos definir um novo conjunto de objetivos, que vão além de nossos esforços anteriores para estabelecer um padrão de ação ambiental independente pelas cidades e localidades do mundo todo.

Reduzir os sacos "descartáveis": a cidade de Nova York gasta aproximadamente US$ 10 milhões para transportar 100 mil toneladas de sacos plásticos para aterros e incineradores em estados vizinhos todos os anos. E embora os sacos de papel sejam recicláveis e muitas vezes considerados mais "verdes" que seus homólogos plásticos, a produção de sacos de papel exige quantidades significativas de água e energia, causando importantes emissões negativas e, é claro, contribuindo para a destruição de nossas florestas. Em um esforço para combater os impactos ambientais negativos causados pelo uso excessivo de sacos de uso único, recentemente apresentei uma lei com vários colegas vereadores para cobrar 10 centavos por sacolas de compras descartáveis nas lojas. Não há dúvida de que podemos -- e devemos -- usar menos sacolas plásticas. Além do benefício ambiental, essas sacolas também impactam a contabilidade municipal: os sacos plásticos são comumente culpados por bocas de esgoto entupidas, o que contribui de maneira significativa para as enchentes. Além disso, os sacos plásticos colocados de maneira incorreta na corrente de reciclagem causam danos à infraestrutura de separação em nossas instalações de reciclagem. Diante dessas considerações, passou muito da hora de tomarmos medidas definitivas para reduzir o uso de sacos descartáveis em toda a cidade de Nova York.

Prédios mais inteligentes: Os edifícios de Nova York devem ser mais limpos e mais eficientes no consumo de energia. O PlaNYC nos ensinou que apenas 1% de todos os edifícios da cidade produzem 86% da poluição total de edifícios -- mais que todos os carros e caminhões juntos. Esse é o resultado de queimar os graus mais sujos de combustível de aquecimento, conhecidos como óleos de aquecimento números 6 e 4. Depois de aprovar a legislação com meus colegas da Câmara para eliminar gradativamente o uso desses óleos sujos, devemos continuar pressionando para exigir o uso de óleos de aquecimento mais limpos nas residências. Como os óleos sujos são uma das principais causas de asma, aquecer os prédios com combustíveis mais limpos pode ajudar a reduzir o maior fator de poluição aérea de nossa cidade.

Espaços verdes: O Departamento de Parques e Recreação da cidade comentou que "as árvores urbanas ajudam a compensar a mudança climática capturando o dióxido de carbono da atmosfera... reduzindo a energia usada pelos edifícios e reduzindo as emissões de dióxido de carbono das usinas de energia baseadas em combustível fóssil". Nova York hoje abriga mais de 5 milhões de árvores, e a iniciativa público-privada Million Trees NYC está trabalhando para acrescentar mais um milhão. Diante dos benefícios documentados das árvores urbanas, também devemos garantir o aumento dos espaços verdes em comunidades mal servidas por toda a cidade, que não têm parques adequados e outros espaços verdes.

Zoneamento para o aquecimento global: finalmente, como demonstrou a supertempestade Sandy, alguns dos planos mais grandiosos de desenvolvimento residencial e comercial das áreas de marinha e litorâneas devem ter a capacidade de suportar os efeitos do aquecimento global. Devemos garantir que os projetos atuais de grandes edifícios junto ao rio não resultem em elevações do nível do rio se formos atingido por outra supertempestade.