OPINIÃO
20/02/2015 11:20 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Os 40 são os novos 60

A recusa em aceitar o envelhecimento é um fenômeno curioso. Por um lado, boa parte do que fazemos visa a prover um futuro melhor. A idéia de não gastar todo o dinheiro; a busca por um cônjuge que esteja por perto na saúde e na doença; a cortesia planejada com aquele cunhado inconveniente são, de certa forma, investimentos no futuro. Por outro lado, quando ele finalmente chega, é difícil engolir a realidade: estamos envelhecendo.

michaeljung via Getty Images

A recusa em aceitar o envelhecimento é um fenômeno curioso. Por um lado, boa parte do que fazemos visa a prover um futuro melhor. A idéia de não gastar todo o dinheiro; a busca por um cônjuge que esteja por perto na saúde e na doença; a cortesia planejada com aquele cunhado inconveniente são, de certa forma, investimentos no futuro. Por outro lado, quando ele finalmente chega, é difícil engolir a realidade: estamos envelhecendo.

Alguns pesquisadores dizem que começamos a envelhecer logo depois do parto. O cordão umbilical nem cicatrizou e já estaríamos caminhando para a senescência. Outros, no entanto, entendem que só envelhecemos depois de atingir a maturidade sexual. Nessa perspectiva, nosso organismo passa as primeiras décadas de vida focado em se desenvolver e manter tudo em ordem, aumentando as chances de conseguir um parceiro e reproduzir com sucesso. Porém, a partir dos 40 ou 50, o ritmo dessa automanutenção diminui e os sinais de envelhecimento se tornam progressivamente mais frequentes.

O inesperado é que o surgimento dos sinais de envelhecimento vem acompanhado de uma série de boas notícias: já temos dinheiro suficiente para a casa própria; temos mais reconhecimento e estabilidade profissional, gozando de melhores condições de trabalho; os filhos estão se formando e escolhendo suas carreiras. Inicialmente, tudo o que queremos é chegar aos 18 anos; depois, tudo o que não queremos é chegar aos 40. Mas, sem os 40, não podemos testemunhar essas e várias outras conquistas.

Enfim, diferentemente do que pensamos, velhice não é coisa de velho. Não é uma doença que só aparece depois dos 60. Essa estrada começa uma ou duas décadas antes. Reconhecendo isso, e reconhecendo que o ser humano carrega o dom da procrastinação, fica claro que podemos - e precisamos - começar a nos cuidar mais cedo. Se o organismo naturalmente desacelera seu ritmo de automanutenção, restam duas alternativas: assumimos o controle por meio de hábitos saudáveis ou ficamos entregues à sorte. E, como a sorte pode não nos favorecer, vale a pena assumir o controle.