OPINIÃO
16/03/2015 20:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

A armadilha do excesso de esperança

A esperança é um remédio valioso que, desacompanhado de atitudes, pode se transformar em veneno.

Divulgação

"Amanhã começo a dieta, sem falta"

"Juro que segunda-feira volto pra academia"

Não sei o que você pensa quando ouve alguma dessas frases, mas eu sempre tenho vontade de dizer "Tá bom, agora fala a verdade". Depois de anos prometendo e descumprindo, é difícil levar esses comentários a sério.

Mesmo com boas intenções, caímos facilmente em armadilhas mentais. Amanhã vem depois de hoje; mas, se todo dia é hoje, então amanhã também vai ser hoje. Daí nunca vai ter amanhã... Parece confuso, mas se você já tentou fazer dieta ou frequentar a academia, sabe bem o que é isso.

O problema das armadilhas mentais, no entanto, é que elas não têm coração - são capazes de estragar até seus planos mais importantes. O risco presente na ideia de que Amanhã começo a dieta também está presente em:

  • O Brasil é o país do futuro
  • Ano que vem vai ser diferente
  • Vou fazer isso quando me aposentar

Em resumo: a esperança é bonita, mas também pode ser ordinária. Como os filmes da Disney e as novelas da Globo, nos convencendo de que sempre existe bonança depois da tempestade. Ou como o mito de que seremos felizes para sempre depois do concurso público, ou da mudança de governo, ou do casamento, ou da aposentadoria... Se você acredita que isso não existe, veja o que dois pesquisadores descobriram sobre as expectativas que a aposentadoria desperta.

Em 1999, eles publicaram um estudo sobre expectativas pós-aposentadoria na revista Educational Gerontology. Cerca de 60% dos participantes (trabalhadores da Austrália e da Inglaterra, na casa dos 50 anos de idade) concordaram que a saída do mundo do trabalho simboliza, principalmente, um novo começo. Em outras palavras, acreditavam na aposentadoria como "o começo bem vindo de uma nova fase da vida. É um tempo de encarar metas longamente aguardadas e viver a vida na sua plenitude". Homens e mulheres, ingleses e australianos, todos viam na aposentadoria o início de uma nova era.

Os pesquisadores mostraram que somos trabalhadores otimistas, e isso é excelente! Afinal, o otimismo está associado a diversos benefícios para o corpo e para a mente.

O problema é que... na verdade, o problema é exatamente o otimismo. Sabe quando você está indo para casa, no automático, e de repente percebe que chegou? E não prestou atenção em nada no caminho. Da mesma forma, o otimismo ingênuo pode nos levar para uma armadilha mental: distraídos, seguros de que o amanhã nos reserva a bonança, esquecemos de fazer alguma coisa agora. Descuidamos do que se passa no caminho e, quando menos se espera, estamos aposentados.

Assim na terra como no céu, assim na dieta como na academia: se você quer uma boa velhice, tenha fé no amanhã, mas comece a sujar as mãos hoje. A esperança é um remédio valioso que, desacompanhado de atitudes, pode se transformar em veneno.

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