OPINIÃO
03/10/2014 10:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Entre a pesquisa e a urna: por que as pesquisas erram tanto em São Paulo?

Roman Ponomarets via Getty Images

Errar é humano e persistir no erro é burrice? Se vale o velho ditado cabe a pergunta: por que os institutos de pesquisa erram tanto nas eleições para governador de São Paulo? Seria má intenção? Erro de metodologia? Indecisão do eleitor até o último momento?

Vamos, a seguir, fazer um breve histórico dos erros dos institutos nas eleições paulistas para no final discutirmos as possíveis explicações para este distanciamento entre resultados das pesquisas e resultados das urnas.

Cumpre notar que os resultados expostos, tanto das pesquisas quanto das urnas, têm como referência os votos totais e não os válidos.

Em 1998, a pesquisa de véspera do Datafolha apontava Maluf com 31%, Francisco Rossi com 18%, Covas com 17%, e Marta Suplicy com 15%. No Ibope, o resultado era semelhante, Maluf 33%, Rossi 17%, Covas 16% e Marta 12%. O resultado, porém foi um pouco diferente: Maluf teve 27,5%, Covas 19,6%, Marta 19,2% e Rossi 14,6%.

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Em 2002, as pesquisas do Datafolha e do Ibope de 4 e 5 de outubro , ou seja, véspera da eleição apontavam Alckmin com 35% e 39% das intenções de voto, Maluf com com 24% e 27% e Genoíno com 22% e 24%, respectivamente. No dia seguinte, na urna, a votação foi Alckmin com 38%, Genoíno com 32%, e Maluf com 21%.

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Em 2006, as pesquisas de véspera do Datafolha e Ibope apontavam Serra com 53% e Mercadante com 22% ou Serra com 54% e Mercadante com 23% dos votos, repsectivamente. Na eleição, no entanto, Serra apareceu com 53% e Mercadante com 29%.

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Em 2010, novamente, as ultimas pesquisas dos mesmos institutos mostravam Alckmin com 50% e 45% e Mercadante com 26% e 29%. Na eleição novamente uma divergência, Alckmin teve 46% e Mercadante 32%.

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Coincidência ou não, as pesquisas sempre apontaram um percentual de votos menor para a candidata e os candidatos do PT. Cabe ressaltar que, com exceção de 2010, os candidatos petistas eram todos iniciantes na disputa de cargos majoritários. Isso significa que eram menos conhecidos do eleitorado geral, apresentando índices de intenção de voto menores do que tradicionalmente é tido como "piso" das votações do PT no estado ao longo de praticamente toda a campanha e mesmo nas vésperas do pleito

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Não sou adepto de teorias conspiratórias segundo as quais os institutos de pesquisa manipulariam os números para beneficias A ou B. Eles usam métodos estatísticos que podem refletir a realidade de maneira mais ou menos distorcida e dependem da credibilidade que o (e)leitor lhes confere. Dessa forma, errar propositadamente seria jogar no lixo seu principal produto, isto é, a confiança daqueles que lhes contratam e lhes dão audiência.

Se fosse, então, o caso de um erro de metodologia ficaria a pergunta: por que isso ocorreria apenas em São Paulo e não nos demais estados e mesmo nas eleições nacional e municipais? Esse também não parece ser o caso, portanto.

Minha hipótese é que a coincidência de eleições para Presidente e Governador tira o foco do eleitor desta última, fazendo com que ele tome sua decisão apenas nos últimos dias antes do pleito. Isso é agravado em São Paulo onde a mídia tem um caráter muito mais nacionalizado do que em outros estados.

Não me surpreenderia, portanto, se no domingo tivermos uma surpresa na urnas de São Paulo com um segundo turno entre Alckmin e Padilha... a conferir...

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