OPINIÃO
15/10/2014 19:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Qual clubismo alarmista vai prevalecer na campanha de 2º turno?

O certame prossegue, e quis o eleitor brasileiro que o 2º turno das eleições presidenciais fosse disputado entre os partidos que lideram o conservadorismo na forma de fazer política e governar o Brasil. Os argumentos alarmistas e futurologistas, dos dois lados, chegam a parecer frutos de lavagem cerebral.

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O certame prossegue, e quis o eleitor brasileiro que o 2º turno das eleições presidenciais fosse disputado entre os partidos que lideram o conservadorismo na forma de fazer política e governar o Brasil. Os argumentos alarmistas e futurologistas, dos dois lados, chegam a parecer frutos de lavagem cerebral. Os dilmistas convictos, que se julgam altamente engajados politicamente, em fetichista luta de classes, apontam "grandes diferenças" entre um "projeto elitista, direitista, retrógrado e conservador" encarnado na figura vil e mesquinha de um demonizado PSDB, enquanto ignoram os caciques de PMDB, PR e PP aliados ao PT (Maluf, Renan, Sarney, Collor, Lobão, Temer, Garotinho, etc). Do outro lado, os peessedebistas alarmam a perpetuação da corrupção, do aparelhamento das instituições e do loteamento de cargos, quando (ao se aliarem aos coronéis do PFL, como ACM, e do mesmo PMDB) foram os que plantaram a semente. Ficam longe de ser os guardiões da ética, como tentam se colocar. Sem falar no irritante "entregar o país ao capital financeiro" vs. "financiar a revolução bolivarianista na América Latina". Haja saco.

O sentimento varia entre riso e revolta diante do tamanho da parcialidade que as pessoas assumem, muitas vezes jogando no lixo todo um discurso adotado no 1º turno. Arrotam verborragias agressivas e arrogantes, chamando de ignorantes ou bananas, os "eleitores adversários". Incluam-me fora desse clubismo retrógrado, segregador e manipulado, que não contribui para um debate sensato. Não escolhi continuar jogando esse mesmo jogo (PT x PSDB) e lavo as mãos.

Escolhemos no que queremos acreditar. As informações (ditas fatos) são desencontradas, manipuladas e descontextualizadas. São factóides que alimentam as campanhas, dos dois lados. Minha posição, meu voto e as pessoas em quem eu escolhi acreditar, defini no primeiro turno. Em primeiro lugar, Marina e sua boicotada Rede, em seu projeto com o PSB dos Campos; em segundo, já durante a campanha, no admirável Eduardo Jorge. Ambos decidiram apoiar Aécio Neves (criticamente) ou voto branco/nulo (neutro). Como afirmar que eles escolheram errado? Quem sou eu pra dizer que, em sua possibilidade de diálogo direto (bastante diferente de nossa análise distante, intermediada pela imprensa e por terceiros), eles deveriam ter percebido que, na verdade, quem se aproximava mais de seus posicionamentos e projetos políticos progressistas e daria mais oportunidade a eles, era o outro candidato? Longe de mim tamanha prepotência. Se mudasse de posição agora, convencido pelos "novos" argumentos desses dois partidos jurássicos da nossa mambembe democracia, eu me sentiria manipulado por esse jogo nauseante de campanha política. Dizer que é uma escolha ideológica entre extremos é demagogia pura e simples.

A posição de Marina

Marina, minha esperança, foi despedaçada por nunca abrir mão de sua coerência. Sua primeira incoerência, ao apoiar um dos candidatos da "velha política", ao meu ver, é totalmente acertada. Para não jogar fora seus mais de 20 milhões de votos, como em 2010, e para ter a possibilidade de influenciar de forma contundente um novo governo, Marina precisava assumir um lado. E o fez dialogando e mantendo a ideia de aproximação programática. Nenhum dos dois partidos que aí estão, entretanto, tem compromisso com o discurso de campanha, por isso será necessário, ainda, no futuro, cacife político e firmeza para fazer as exigências e cobranças, com apoio da sociedade. A nova política vai ter que ficar pra próxima. A maioria escolheu manter as regras do jogo. Voto em Aécio porque quem eu confio está com ele (o PV de Eduardo Jorge, o PSB dos Campos, o PDT de Cristovam Buarque, a Rede de Marina), mas sem esperanças de que teremos grandes mudanças, já que, com quem quer que ganhe, o rabo continua preso a poderosos setores conservadores da política e da sociedade. Os mesmos que o PT teve a chance de transformar, mas sucumbiu.

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