OPINIÃO
03/10/2014 19:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Campanha de Marina deve reagir e ganhar força

Marina Silva, a Brazilian presidential candidate for the Brazilian Socialist Party (PSB), attends their last TV debate in Rio de Janeiro, Brazil, on October 2, 2014. The general election will be held on October 5, 2014.  AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA        (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)
YASUYOSHI CHIBA via Getty Images
Marina Silva, a Brazilian presidential candidate for the Brazilian Socialist Party (PSB), attends their last TV debate in Rio de Janeiro, Brazil, on October 2, 2014. The general election will be held on October 5, 2014. AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

Conforme segue a negativamente admirável campanha eleitoral, e Marina continua perdendo pontos, afastando-se de Dilma e deixando Aécio se aproximar, mais a convicção do meu voto e minha admiração pela humanidade da candidata crescem.

Num primeiro momento, vendo-se diante de um cenário extenuante e desesperador, com sua imagem sendo permanentemente destruída com factoides e mentiras pelo maquiavélico João Santana (lembrando Goebbels, como disse Fernando Meirelles), Marina, muito humana, se abalou, balançou, enfraqueceu, mas não cedeu e recusou render-se à máxima da nossa atual política de que "feio é perder eleição" - feio é jogar sujo mesmo. Optou por insistir na estratégia pouco eficaz de expor suas propostas, respeitando os adversários e fazendo críticas pontuais, que acabavam questionadas em imprecisões, por não terem a firmeza combativa necessária. O mesmo aconteceu com suas propostas: não adiantava construi-las de dia, pra alguém desconstrui-las à noite. Mostrou-se necessário zelar pelo que era construído, reagindo firmemente à desconstrução, e atacar, martelando as críticas que o Governo procura driblar.

É possível que Marina tenha esperado demais, mas agora começa a reagir. O abalo parece ter amadurecido, transformando-se em indignação. Uma indignação que pode ganhar cada vez mais força, até ecoar, de fato, na sociedade, como sua campanha vem insistindo, sem convencer, desde o início. Ainda há tempo de, finalmente, buscar a ressonância das manifestações de junho de 2013. Ainda há espaço para a campanha ganhar volume e voz, principalmente com a maior igualdade de condições e o realinhamento de discursos, apoios e votos, no provável 2º turno. É hora de Marina por em prática o que aprendeu durante tantos anos com Lula e, mais recentemente, com Eduardo Campos: contagiar o eleitor e transmitir a determinação e a coragem que se escondem em seu corpo franzino.

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Apesar de fortalecer minha convicção no voto para presidente, a queda de Marina também me entristece porque, a princípio, me parecia que o eleitor havia se convencido de quem era e o que propunha Marina, e que seu crescimento seria natural. Até os adversários se desesperaram ao vislumbrar essa possibilidade, e mudaram o rumo das campanhas, o que foi absolutamente decisivo: não há quem não tenha desistido de votar em Marina, ou aumentado sua rejeição a ela, que não se utilize de algum dos argumentos de João Santana, caracterizando, nos mais diversos credos e classes, massa de manobra. Até quem mudou de Marina para Aécio, Luciana Genro ou Eduardo Jorge, o fez convencido por Santana.

A "bala de prata" do planejamento

Quando se inicia um Projeto, no sentido mais genérico da palavra, o primeiro passo é Planejar - deve-se definir escopo, prazo, custo, riscos, competências e relações, além de definir a metodologia e diretrizes para as estratégias que serão adotadas, prevendo, ainda, medição e controle de parâmetros que validem essas estratégias. É necessário pensar em cada aspecto desde o início, num processo extremamente cuidadoso e bem estudado. Qualquer início diferente, por maior que seja a experiência do gestor e sua equipe, significará, inequivocamente, um Projeto feito à brasileira: com um suposto jogo de cintura, que se traduz em muita malandragem. Bem nos moldes da nossa política atrasada. E por melhor que pareça o resultado, será tecnicamente fracassado tanto na eficiência (fazer as coisas bem), quanto na eficácia (fazer as coisas certas).

Quanto ao Projeto de Governo, Aécio e Dilma não se preocuparam em apresentar seus Programas, seus planejamentos. Com razão. O eleitor, lamentavelmente, parece não se importar. Além disso, não apresentá-lo garante que o Plano não será criticado e desconstruído, como aconteceu com Marina, que lançou seu Programa de Governo há mais de um mês. Por mais que contenha erros, pontos que discordamos e pontos a serem melhor debatidos e esclarecidos, é um sólido ponto de partida, que poderia ser visto como mínimo fundamental. Se funcionasse como "bala de prata", abateria Aécio e Dilma abraçados. Como pode ser coerente permitir, através do nosso voto, que candidatos que não se preocupam nem em planejar seu Governo sejam chefes do nosso Poder Executivo? Pra executar o que? Fica a pergunta.

A nova Marina:

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