OPINIÃO
25/09/2014 10:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

5 Motivos pra Votar em Marina

Após o anúncio, em outubro de 2013, da surpreendente e curiosa aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos, assisti a diversas entrevistas em que explicavam as diretrizes de uma aliança plural e programática e a sua nova forma de fazer política. Decidi que iria apoiar aquelas ideias que, ao meu ver, formavam um discurso capaz de propor evoluções efetivas na forma de gerir o país.

Houve uma reviravolta com a morte de Campos, mas segui fiel à minha decisão e, até hoje, nenhuma das críticas que arrancaram votos de Marina foi capaz de me fazer mudar de ideia. Dou 5 motivos:

1) De início, devo dizer que, dadas as circunstâncias políticas atuais, procuro acreditar na democracia, nas boas pessoas e num plano de governo adequado. Não acredito em ideologias de partidos políticos e planos de poder. Por isso meu voto é "incoerente" (multipartidário) e "antidemocrático" (suprapartidário), e, até agora, nenhuma doutrina ou dogma político me convenceu que isso está errado.

2) Há quem afirme que Marina não conseguirá a "governabilidade" necessária. Prefiro que a governabilidade atual (por uma maioria inerte no Congresso e tempo de TV em troca de ministérios e cargos) possa ser suplantada por uma programática, que ouça a sociedade civil e os partidos políticos, em debates pautados por interesses coletivos, não pseudo-ideológicos (partidários e fisiológicos).

3) Estado laico sempre foi uma bandeira da Marina. Seu discurso é claro, basta ouvi-la. O mesmo vale pra sua opinião a respeito da igualdade de direitos civis e da prioridade dos interesses coletivos sobre os privados. É desonesto associá-la a banqueiros e acusá-la de defender o regime militar, tomar decisões motivada por versículos bíblicos, de ser homofóbica, defender absurdos do Feliciano ou recuar devido à opinião do Malafaia. Marina tem a intenção de encerrar uma polarização nociva entre gays e evangélicos que só da audiência a políticos e pastores oportunistas.

4) Marina é duramente criticada quando diz querer governar com os melhores: o PT de Suplicy, o PDT de Cristovam, o PMDB de Simon, etc. Sem Collor, Renan, Sarney. Dizem que o discurso é utópico e que suas alianças são desesperadas. Eu penso o contrário: o discurso é possível e as alianças desejáveis. Pra mim, utópico é achar que nossa política vai dar certo no sistema atual da governabilidade. O tom sereno com que Marina passa sua determinação de levar adiante avanços de FH e Lula (economia estável e distribuição de renda) e a coerência autocrítica na forma com que se manifesta, ouve, pondera, aceita ou nega, sustenta ou cede, são atitudes que considero humildes, sábias e enriquecedoras. Pra quê ver de forma tão negativa algo tão positivo? Alguns vêem contradições e conservadorismo nessas posturas, eu vejo um progresso virtuoso, ousado e arriscado, que exige grande capacidade.

5) No mercado, ganha cada vez mais força a gestão baseada num conceito polêmico, sustentado por um tripé econômico, social e ambiental, que deve ser devidamente equilibrado - a Sustentabilidade. A gestão sustentável, baseada em critérios técnicos e transparentes, é capaz de superar ou atenuar obstáculos subjetivos e ideológicos por vezes intransponíveis, em nome da construção de um processo sempre em progresso, de forma colaborativa e interdisciplinar, entre os mais antagônicos setores da sociedade: ruralistas e ambientalistas, liberais e comunistas, sem-terra e fazendeiros, etc. É, de fato, um conceito usado predominantemente de forma oportunista, mas explorado da maneira correta é um conceito técnico e bem sucedido ao redor do mundo. Acredito que a Marina seja a mais capaz para desenvolver um governo nesses moldes, por acreditar e investir nessa forma de gerir. Ela é técnica, experiente e democrática na gestão.

Marina é corajosa. Buscar o equilíbrio nessa corda bamba, é sempre estar sujeito a ser acusado, ora de querer agradar a todos, ora de não querer ceder a ninguém. É preciso ter cuidado e buscar apoio, além de ser agregadora, firme e estável para gerir um governo de alianças programáticas que podem ser instáveis, já que o jogo muitas vezes é sujo (como ela já está aprendendo bem durante a campanha).

Atualmente é mais fácil criticar e duvidar do que defender e apostar (o ceticismo e a negação demandam menos energia que a compreensão). É impossível - e seria estranho - concordar com tudo que um candidato diz, mas tenho bastante confiança num governo Marina, mesmo sabendo que pode dar errado, independentemente de suas boas intenções. Como alguém disse: se for errar, prefiro errar diferente.

A corrida eleitoral traz uma ideia muito mais clara do que gostamos de admitir: a gente acredita no que quer acreditar. Eu escolhi acreditar na Marina, e até agora ninguém me convenceu: por que não?

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