OPINIÃO
10/06/2014 10:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Vai ter Copa: verde e amarelo e empolgação

O povo que mata um leão por dia, precisa de muita coisa, merece muita coisa, mas também gosta de festa e ama o futebol. Mesmo em meio a tanta coisa triste, o brasileiro tem o sorriso como marca registrada.

Nem a onda de manifestações, nem as dificuldades existentes no país vão impedir a empolgação pela realização da Copa do Mundo 2014 no Brasil. Muito dinheiro correu pelo ralo, muitas obras - que ficarão como legado da Copa - não foram entregues e vão terminar sabe-se lá quando, mas quem vai usufruir é o povo brasileiro. Bom ou ruim, algum benefício já existe e haverá.

De certo, muito será criticado, apontado, cobrado e esperamos, exigindo após findarem os jogos. Há descontentes com a copa que prometem acabar com a festa. Eles estão em cada canto do Brasil prontos para "mostrar ao mundo" que "não há flores em nossos jardins". Mas outros brasileiros querem mostrar que ainda há flores e há raízes plantadas prontas para brotar. O "mundo" que vem a passeio não mora nessas terras e para eles pouco ou nada importa se vivemos ou não em condições degradantes e desrespeitosas.

Foto: Rua São Paulo, no centro de Belo Horizonte

Para mostrar que há flor entre pedras, em todo país, milhões e milhões de brasileiros já se vestem de verde e amarelo. Ao contrário do que muitos insistem em dizer, há espírito de Copa e brasilidade.

Na capital de Minas Gerais, já temos ruas enfeitadas e em clima de festa. Casas e apartamentos que exibem as cores de nossa bandeira, carros transitam levando o Brasil e o orgulho de ser brasileiro. Um orgulho até um pouco retraído, mas por medo de represália e condenação daqueles que tentam impedir que a Copa aconteça.

Mesmo com o "Não Vai Ter Copa", existe parte considerável da população que separa a bandalheira política e a falta de compromisso de nossos governantes do grande evento que começa no dia 12 de junho. Essa parcela do povo levanta nossa bandeira com obstinação.

Matheus Azevedo, jornalista, morador do Bairro Betânia, conta que em sua rua, é hábito reunir os moradores em todas as copas, fazendo um mutirão para colorir com as cores do país, um pedaço de Belo Horizonte. Mesmo sendo a favor das manifestações, Matheus acredita que durante o evento não é o momento melhor. Que com todas as dificuldades o brasileiro pode fazer um evento bonito e organizado. "A Copa é um grande marco. Até o momento não se vê conseqüências positivas, mas ao final, o brasileiro verá que valeu a pena. Se tudo transcorrer bem, novas portas se abrirão ao nosso país e irão aumentar futuros e importantes negócios."

Foto: Rua Romeu Dayrell França, bairro Betânia

A relações públicas, Renata Braga, não estará nos estádios, mas prepara a casa com enfeites e promete reunir os amigos para ver os jogos. Renata que se emociona ao ouvir o Hino Nacional, afirma que, mesmo diante de todos os problemas existentes no país, a Copa pode trazer, entre outros benefícios, o aumento no turismo.

Turistas e jornalistas argentinos chegam a todo o momento em Belo Horizonte para acompanhar a seleção hermana. Muitos já conheceram pontos turísticos como o Parque Municipal situado no centro da capital mineira e a Feira de Artesanato da Afonso Pena e se impressionaram com a diversidade de produtos. Outros estranharam a pouca publicidade a respeito do evento e perceberam em alguns muros o repúdio explícito ao evento.

O cinegrafista da Telefe, Marcelo Dell'Isola, que conhecia vários lugares no Brasil, não conhecia "Beagá". Hospedado na região da Pampulha, já visitou o Gigante da Pampulha, Mineirão e a Lagoa da Pampulha aonde tem feito caminhada. Visitou a Avenida Fleming e seus bares, o Mercado Central aonde foram gravadas tomadas para o canal argentino e se encantou com a movimentação das pessoas no lugar.

Dell'Isola, que está na cidade a trabalho, se impressionou com as instalações na Cidade do Galo, gostou do clima e da maneira como são recebidos pelos mineiros, principalmente pelos torcedores do Atlético Mineiro, que os fizeram sentir-se em casa. Perguntado sobre voltar à cidade, foi categórico dizendo que "voltaria a passeio".

O povo que mata um leão por dia, precisa de muita coisa, merece muita coisa, mas também gosta de festa e ama o futebol. Mesmo em meio a tanta coisa triste, o brasileiro tem o sorriso como marca registrada.

Somos brasileiros e vamos receber pessoas de todo o mundo para uma festa em nossa casa. Independente do cardápio a servir, se com obras prontas ou inacabadas, com um cenário político e econômico no céu ou no inferno, somos os anfitriões. Podemos dar uma aula de como receber e festejar, uma grande lição de civilidade, mesmo que as coisas não estejam como deveriam. Nossa alegria é nossa esperança e podemos muito mais do que esperam de nós.

Que comece a Copa!

Foto: Rua Romeu Dayrell França, bairro Betânia

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