OPINIÃO
08/08/2014 20:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Ser pai, ser "pãe"

Sendo "pãe", sinto ainda mais o quão importante é um pai, que a paternidade é o complemento da maternidade, que o ser humano não poderia jamais ser privado de um ou outro, que não deveria haver escolha, mas que o amor é sempre intransponível.

Leide Botelho

Sou "pãe" de um pré-adolescente ou adolescente de 12 anos e a proposta de texto para o post do Dia dos Pais, mexeu fundo com minhas emoções. Rebusquei todas as memórias que tenho referente a paternidade e encontrei entre lembranças, sentimentos e experiências, conclusões sobre a missão que cabe a cada progenitor.

Lendo um estudo sobre paternidade, de Marcia Zalcman Setton e Patrícia Pazinato, encontrei uma definição muito apropriada, "o pai é um agente de diferenciação entre mãe e filho".

Sabemos que a maneira de amar do "ser mãe" e do "ser pai" é diferente. Quantos de nós carregamos lembranças de pais e avôs, com a ternura misturada à severidade? É pra ser amor, mas é pra ser força. Encontramos na figura paterna o super herói, o ídolo.

Aprendi com o meu pai tudo sobre o que significa ser pai. Ele, uma figura das mais raras, dotado de uma generosidade sem precedentes, me ensinou que o coração é o verdadeiro genitor e que ele faz o possível e o impossível, o provável e o improvável pelo ser que escolhe amar. Eu aprendi!

Fui mãe aos 24 anos e me tornei "pãe" aos quase 25. Meu filho tinha somente seis meses quando eu e meu ex-marido resolvemos nos separar. Decisão difícil, dolorosa, mas foi algo pensando muito no pequeno que era nossa responsabilidade. Deu medo, um medo ainda maior do que o de ser mãe, acúmulo de função, amor de dois pólos, responsabilidade multiplicada.

Não gosto da expressão "mãe solteira" para definir uma mãe que não tem um marido ao seu lado. Mãe é mãe e pronto. Nesse caso prefiro ser chamada de "pãe", porque é assim que me sinto, que me vejo, que me vêem e o que sou. Estendendo o sentido da palavra pai.

A ausência que se dá, pelo fato de não morarmos pai e mãe sob o mesmo teto, transforma o zelo e o acolhimento materno em postura mais exigente. A necessidade na formação do filho, de um modelo masculino, nem sempre presente, multiplica a força da mãe - que é também pai. Faz da delicada mãe, uma heroína que se supera no cansaço, nos esforços, para ser também o pai.

Olha-se tudo, pensa-se tudo, decide-se tudo.

Não há tempo para consultas a manuais, não há como escolher sobre qual assunto conversar ou qual parte das muitas dúvidas do filho esclarecer.

Muitas vezes me pergunto como consegui chegar até aqui ou se estou realmente capacitada a ser tudo que meu filho precisa e espera. Sei que ele precisa e espera sempre mais e me dou a esta missão sem reservas, sem tempo para respirar, só sigo sendo. Caminho com meu filho.

Sendo "pãe", sinto ainda mais o quão importante é um pai, que a paternidade é o complemento da maternidade, que o ser humano não poderia jamais ser privado de um ou outro, que não deveria haver escolha, mas que o amor é sempre intransponível.

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