OPINIÃO
22/09/2014 15:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Procura-se

Na última semana, entre as preocupações rotineiras, os anseios por uma boa colocação do meu time de alma e a minha esperança, novos regras, imposições e cenas, me tiraram de maneira abrupta, o resto de romantismo que via no esporte.

Daniel Teobaldo/SoulGalo

Procura-se a cura para o futebol.

Aquele futebol paixão nacional, existindo somente para manifestar as mais ardentes paixões. Futebol religião, tal como as seitas radicais, de cores definidas e cantos de louvor próprios.

Esse vício inexplicável, já denominado o "ópio do povo", que faz de desconhecidos, irmãos, sem identidade civil, sem classe social. Simples amantes da arte da bola que tornam quaisquer partidas, duelos épicos, regados a sorrisos, lágrimas e muito sentimento.

Violentaram o nosso futebol. Injetaram características que jamais deveriam compor a história.

Injetaram um vírus naquilo que amamos e que agora padece em uma UTI, esperando o milagre da cura.

Está crescente a "idiotização" do futebol brasileiro, aquele que já foi do povo, pro povo. Há um tempo, acusado de alienar aqueles que se entregam a loucura dos gramados.

As coisas hoje acontecem de forma tal que foi propagado um sentimento de frustração.

Na última semana, entre as preocupações rotineiras, os anseios por uma boa colocação do meu time de alma e a minha esperança, novos regras, imposições e cenas, me tiraram de maneira abrupta, o resto de romantismo que via no esporte.

Coisas do futebol brasileiro: um time que é excluído de uma competição e outro que não pode ser rebaixado. Estádios "modernos" que recebem bem os estrangeiros para uma copa do mundo, mas nos quais se limita a entrada de crianças em campo.

Crianças estas, de alta periculosidade, que realmente em grande número, se tornam terroristas, vândalos, que podem colocar em risco a realização das partidas. Piada de mau gosto, quando além de propagaram nos velhos de casa o pessimismo, travam a ardor dos pequenos torcedores.

Políticos impondo seus interesses e definindo o rumo e a sorte de clubes. Arbitragens embrulhadas no cinismo e na falta de coerência, ditando quem deve perder e quem deve ganhar.

Nelson Rodrigues, inesquecível pela cumplicidade com o mundo do futebol, escreveu que muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida, mal sabia ele que isso se tornaria uma constante, que seria ao invés de muitas vezes, quase sempre.

Criaram um estatuto, que merece ser guardado como uma bíblia, feito para o apreciador do esporte, mas não se preocupam em fiscalizar a maneira como o torcedor/consumidor é tratado dentro e fora dos estádios. Não há critérios e nem correta aplicação de leis.

E no momento em que tudo aponta a necessidade de mudança, quem muda de verdade é o torcedor, que antes no estádio, agora se vê obrigado a se render ao seu sofá, pressionado pelo alto preço dos ingressos, oprimido por protocolos, quase regras de etiqueta, ignorado em sua dedicação e entrega à arte das quatro linhas.

Matam as sementes lançadas em terra fértil, tirando a possibilidade de bons frutos. Apontam para nossas cabeças o revólver da submissão.

Estão acabando com a graça e parecem rir sordidamente disso. Fazem do certo - errado e do errado - certo.

Desligam aos poucos os aparelhos. Morte lenta, sofrida. Sem a menor compaixão. Não há como contestar. Fingem não ouvir!

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