OPINIÃO
30/05/2014 15:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Ainda e mesmo que

Relendo um texto que escrevi em dezembro de 2012, quis compartilhar com vocês a minha reflexão sobre o amor, em tempos em que tornamos o outro peça descartável e por isso tantas vezes encontramos dificuldade em definir esse tão falado sentimento.

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Relendo um texto que escrevi em dezembro de 2012, quis compartilhar com vocês a minha reflexão sobre o amor, em tempos em que tornamos o outro peça descartável e por isso tantas vezes encontramos dificuldade em definir esse tão falado sentimento.

Difícil encontrar nos tempos atuais relacionamentos duradouros, comemorações de bodas das mais diversas.

Hoje em dia, a máxima que norteia as relações é a do "não deu certo, a fila anda". Não que eu seja militante de um movimento que condene as pessoas a viverem infelizes ao lado das outras, sem os ingredientes que conferem às relações a alegria e vontade de estar junto. Penso que é melhor a verdade de um sentimento do que a falsa sensação de ser amado.

Já presenciei amores condicionados, pseudo-amores e amores reais. Já sofri minhas dores e dores que nem eram minhas, vi pessoas se confundirem e confundirem o outro, ao usar a frase "eu te amo".

A complexidade que há em cada ser humano, nos apresenta seres riquíssimos, verdadeiras jóias raras, que só são descobertas sem a pressa do cotidiano.

A instantaneidade, a agitação, nos cegam, tiram de nós a capacidade do descobrir com o tempo, de viajar no outro e de aprender o amor tal como deveria ser.

O amor exige calma, curiosidade constante, um deliciar-se nos detalhes, desde o sorriso que mais fascine ao mau humor que pode ser motivo de graça.

É encontrar naquilo que não é belo, a beleza de uma alma que se estenda que se prolongue além do perfeito, que esteja além do pronto, mas que se construa dia a dia.

Retomando o texto de 2012, o amor vai além do que pressupomos e do que as relações atuais tentam ensinar. Não existimos para o amor "miojo", que se faz rápido e que rápido se finda. Que relativiza o outro, que se despeja ou joga fora quando não se quer mais.

Existimos para amores que se tornem peças de museu, que sejam lembrados e referenciados para todo o sempre, que sejam exemplos de respeito e lealdade ao outro. Para amores que dignifiquem, que elevem, que encham a nossa história de orgulho.

Enxergando que estamos distantes da perfeição, podemos nos adaptar ao amor. Sempre respeitando o que há em nós, usando de sinceridade e responsabilidade ao dizer "eu te amo".

Porque dizer "te amo" é sério. É dizer: te aceito do jeito que você é.

Dizer te amo é dizer: te recebo em minha vida com sua história, com suas dores, com suas cores e com a falta das cores em sua vida, com seu passado, com seu presente e com o seu futuro.

Isso vale não somente nas relações entre homens e mulheres, mas também nas amizades.

Quando eu digo "eu te amo", digo de forma tão consciente, tão responsável. O amor é igual, é tão igual.

O que diferencia o amor homem x mulher do amor entre amigos é o desejo físico. É a necessidade do toque. O arrepio. O beijo. A pele.

Mas a síntese de aceitação é a mesma. O amar é igual.

O amor de verdade, ama o inteiro, aceita o inteiro. Parte boa, parte limitada.

A essência do amor é a aceitação do outro, tal como ele é tal como ele está, é enxergar no outro a pedra a ser lapidada, um tesouro a ser descoberto.

O que impede as pessoas de se amarem verdadeiramente é a invenção do amor de "se".

"Eu te amo "se" você deixar de fazer isso..." "se" você mudar... "se" você fizer do meu jeito... "se" fizer assim... Isso não é amar. Não pode ser amor.

O amor de verdade só existe quando a frase real comporta, eu te amo "mesmo que"... Eu te amo "ainda que"...

Eu não sei amar em "se", não aprendo. Só consigo amar "ainda que" e "mesmo que" e se no mundo não couber um coração como o meu, que ame assim, que queira assim, que se comporte assim, vivo e morro com o meu sonho de amor.

Certa de que certa ou errada no mundo do "se" amei e amo convicta do certo amor em mim.

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