OPINIÃO
26/01/2015 11:16 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Unicef: Estudantes ricos recebem 18 vezes mais investimentos em educação do que os pobres

Outro dado interessante do relatório: no mundo todo, muitos estudantes não estão aprendendo de forma adequada, com 130 milhões de alunos da 4ª série do Ensino Primário sem dominar o básico em leitura ou matemática.

Professora e aluno em escola na Índia. Foto: Unesco/GMR Akash

Nesta semana, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, divulgou dois relatórios importantes sobre problemas no sistema educacional global. O primeiro alerta da agência da ONU está relacionado com investimentos no ensino.

Segundo o Unicef, os recursos públicos usados para a educação de crianças ricas chegam a ser 18 vezes maiores do que para as crianças pobres. Nos países de baixa renda, 46% dos investimentos beneficiam diretamente 10% dos estudantes mais ricos. A desproporção acaba favorecendo as crianças das camadas mais altas da sociedade, que geralmente conseguem completar os níveis mais altos de educação.

Outro dado interessante do relatório: no mundo todo, muitos estudantes não estão aprendendo de forma adequada, com 130 milhões de alunos da 4ª série do Ensino Primário sem dominar o básico em leitura ou matemática.

As Nações Unidas estipularam para os países uma meta universal de educação, ou seja, um esforço para que todas as crianças e adolescentes frequentem a escola. Atualmente, são 1 bilhão de estudantes no Ensino Primário ou início do Secundário. Mas até 2030, mais 619 milhões de alunos entre 3 e 15 anos de idade precisarão estar matriculados, um aumento de 57% em relação aos números atuais.

O déficit de investimentos no setor é outra preocupação do Unicef: estão falando US$ 26 bilhões no fundo de eduação básica universal para 46 países de baixa renda.

O outro relatório foi divulgado pelo Unicef, numa parceria com o Instituto de Estatísticas da Unesco (a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). O estudo foca nas crianças que estão fora da sala de aula: são 63 milhões de adolescentes entre 12 e 15 anos que não estão frequentando a escola.

Segundo o Unicef, "está claro" que meninas que engravidam tem a tendência de abandonar a escola. O relatório cita o Brasil como exemplo: no país, 70% das adolescentes entre 10 e 17 anos que se tornaram mães, acabaram não voltando para a sala de aula.

Um total de 121 milhões de crianças e adolescentes sequer começaram a frequentar a escola ou abandonaram os estudos. O Unicef e a Unesco destacam que as mais afetadas são as crianças de países em conflito, com algum tipo de deficiência, as que enfrentam discriminação ou as ligadas ao trabalho infantil.

As taxas mais altas foram observadas na Eritreia e na Libéria, onde 66% e 59% das crianças não frequentam a escola primária. Já no Paquistão, 58% das garotas entre 12 e 15 anos estão fora da escola, contra 49% dos garotos.

O documento afirma que no Brasil, a taxa de menores do ensino primário e secundário fora da escola era de apenas 2,4% em 2009, o que representava 730 mil crianças. Já entre menores de 7 a 14 anos que trabalham, o índice sobe para 4%.

Para o diretor-executivo do Unicef, Anthony Lake, é necessário compromisso global em três áreas: colocar mais crianças na escola primária; ajudar que permaneçam no ensino secundário e melhorar a qualidade do aprendizado.

A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, declarou que o relatório é um chamado para mobilizar recursos que garantam educação básica para todas as crianças.

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