OPINIÃO
11/04/2015 14:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Em meio ao caos no Iêmen, ONU faz apelo por trégua humanitária

As milícias estão obrigando crianças a lutar no conflito e segundo o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, pelo menos 74 menores foram mortos nas últimas duas semanas, mas o número pode ser maior. O último cálculo das Nações Unidas confirma pelo menos 648 pessoas mortas no Iêmen e 2,2 mil feridas.

Famílias do Iêmen chegam ao Djibouti. Foto: Acnur/F. Van Damme

As Nações Unidas estão pedindo uma pausa no conflito que atinge o país árabe há algumas semanas. O Iêmen faz fronteira com a Arábia Saudita e a violência afeta 15 dos 22 estados do país, numa situação que "piora a cada hora".

A afirmação é do coordenador humanitário da ONU para o país, ao declarar que existe o risco de um "colapso" nos serviços básicos. Em questões de dias, milhões de pessoas na cidade de Áden podem ficar sem acesso à água potável, por isso a necessidade urgente de uma pausa humanitária. As famílias também estão tendo dificuldades em conseguir comida e combustível.

Na sexta-feira, Johannes van der Klaauw explicou que Áden, a segunda maior cidade, está sendo invadida por "milícias incontroláveis". Escolas, postos de saúde, mercados e usinas de energia foram destruídas ou danificadas.

Por isso, ele fez um apelo a todos os lados em conflito, para que façam uma pausa nos ataques e permitam a entrada no país de itens de ajuda humanitária, seja de avião ou de barco.

As milícias estão obrigando crianças a lutar no conflito e segundo o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, pelo menos 74 menores foram mortos nas últimas duas semanas, mas o número pode ser maior. O último cálculo das Nações Unidas confirma pelo menos 648 pessoas mortas no Iêmen e 2,2 mil feridas.

Na sexta-feira, o Unicef conseguiu descarregar, no aeroporto da capital Sanaa, um lote com 16 toneladas de medicamentos e de água, suficientes para atender 80 mil pessoas, além de micronutrientes para 20 mil crianças.

Com a onda de violência, milhares de famílias abandonaram suas casas e tentam refúgio em nações próximas, como Djibouti e Somália.

O próprio secretário-geral da ONU já se mostrou muito preocupado com a situação. Na quinta-feira, Ban Ki-moon declarou a jornalistas, em Nova York, que os civis iemenitas estão "sendo abandonados à miséria".

Com os ataques aéreos e as tentativas do grupo houthi em ampliar seu poder no país, o chefe da ONU avalia que uma crise política interna transformou-se num "conflito violento", que pode ter repercussões profundas na região.

Para Ban Ki-moon, a solução para o conflito no Iêmen deve ser política, e não militar. Por isso, ele voltou a defender que as partes em confronto aceitem ir para a mesa de negociações. Mesmo antes do aumento da violência, 16 milhões de iemenitas já precisavam receber ajuda humanitária para sobreviver, entre os 25 milhões de habitantes do país.

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