OPINIÃO
17/04/2016 15:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Começou a corrida para escolher o novo (ou a nova) comandante da ONU

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Bandeira da ONU em frente à sede da organização, em Nova York.

As Nações Unidas completaram 70 anos recentemente e pela primeira vez na história da organização, os candidatos ao cargo mais alto da diplomacia internacional tiveram a chance de apresentar publicamente suas propostas.

Batizados de "diálogos informais", a sabatina aconteceu entre os dias 12 e 14 de abril. Ao inaugurar as sessões, o presidente da Assembleia Geral da ONU declarou que pela primeira vez em sete décadas, o processo de seleção do próximo secretário-geral "está sendo guiado genuinamente pela transparência".

Mulheres

Mogens Lykketoft lembra que as Nações Unidas lidam com múltiplas crises internacionais e enfrentam desafios em relação ao seu próprio papel e desempenho. Por isso, ele destacou ser crucial encontrar a melhor pessoa para substituir o sul-coreano Ban Ki-moon, que chefia a ONU desde 2007.

Além da transparência, o processo chama a atenção pela possibilidade de uma mulher se tornar secretária-geral da ONU: quatro mulheres e cinco homens estão na disputa.

Montenegro, Bulgária, Portugal

Os diálogos informais começaram na terça-feira, com a apresentação de Igor Luksic, de Montenegro. O ex-primeiro-ministro defendeu a "reinvenção do multilateralismo" e disse que o próximo líder da ONU precisa tornar a organização "mais relevante, eficaz e eficiente".

Também participou da sabatina a diretora-geral da Unesco. Candidata da Bulgária, Irina Bokova afirmou que o século 21 representa "o momento do mundo mostrar um compromisso verdadeiro com a igualdade de gênero", porque segundo ela, "não é possível alcançar a paz sem a igualdade dos sexos".

Um lusófono está na disputa: é o ex-primeiro-ministro de Portugal, António Guterres. Até o ano passado, ele foi chefe da Agência da ONU para Refugiados, Acnur. Para Guterres, o melhor lugar para combater as causas do sofrimento humano é as Nações Unidas e prevenir crises deve ser prioridade.

Eslovênia, Croácia, Moldávia

Já o diplomata Danilo Türk, da Eslovênia, ressaltou seus 30 anos de experiência na área de direitos humanos e na luta pela liberdade de expressão, redução da censura e direito de todos ao desenvolvimento.

A ex-vice-primeira-ministra da Croácia focou sua fala na importância de uma boa administração. Para Vesna Pusic, se a ONU não funcionar de maneira adequada, paz, desenvolvimento, assistência humanitária e direitos humanos serão apenas "um sonho".

Uma outra candidata, Natalia Gherman, da Moldávia, explicou que decidiu se candidatar por estar convencida de que uma "ONU eficaz nunca foi tão necessária para acabar com pobreza e guerras, respeitar os direitos humanos e salvar o planeta". Ela também já foi vice-primeira-ministra de seu país.

Sérvia, Nova Zelândia, Macedônia

Representando a Sérvia, o ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, Vuk Jeremic, defendeu o rejuvenescimento da organização. Na avaliação dele, as Nações Unidas estão sendo ameaçadas por um senso de "falha e estagnação".

A seguir a Vuk Jeremic, quem fez a intervenção foi a atual administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud. Helen Clark, ex-primeira ministra da Nova Zelândia, destacou que a ONU continua sendo importante para reduzir as desigualdades e tornar o mundo mais seguro.

O nono candidato, Srgjan Kerim, representa a ex-República Iugoslava da Macedônia. Ele já foi ministro das Relações Exteriores e presidiu a Assembleia Geral da ONU. Segundo ele, para ser secretário-geral é importante entender a "essência da organização e respeitar a Carta das Nações Unidas".

É possível que mais candidatos apareçam ao longo dos próximos meses. Caberá aos 193 Estados-membros da ONU eleger o novo chefe (ou nova chefe) da organização. A votação na Assembleia Geral ainda não tem data definida, mas a posse do eleito ou eleita será em janeiro de 2017.

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