OPINIÃO
08/05/2015 18:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Combatentes no Oriente Médio utilizam estupro e escravidão sexual como 'táticas de terror'

Zainab Bangura teve a oportunidade de conversar com sobreviventes e testemunhas, que afirmaram que a violência sexual é cometida de forma "estratégica e sistemática". Ao retornar do Oriente Médio, ela contou esta semana, na sede da ONU em Nova York, detalhes dos relatos.

Tullio M. Puglia via Getty Images
LAMPEDUSA, ITALY - FEBRUARY 20: Migrants wait to board a ship on February 20, 2015 in Lampedusa, Italy. Hundreds of migrants recently arrived in Lampedusa after fleeing the attacks by ISIS in Libya. The Temporary Permanence Centre (CPT) of Lampedusa, which was designed to accommodate 250 people, currently holds about 300 migrants following Sunday's rescue of 2,000 in the Mediterranean Sea, between the island of Lampedusa and the Libyan coast. 900 migrants have been transferred to another centre and the emergency situation is now over. (Photo by Tullio M. Puglia/Getty Images)

Essa foi a conclusão da representante especial das Nações Unidas sobre Violência Sexual em Conflitos, após visitar no fim de abril, cinco países da região: Síria, Iraque, Turquia, Líbano e Jordânia.

Zainab Bangura teve a oportunidade de conversar com sobreviventes e testemunhas, que afirmaram que a violência sexual é cometida de forma "estratégica e sistemática". Ao retornar do Oriente Médio, ela contou esta semana, na sede da ONU em Nova York, detalhes dos relatos.

Segundo Bangura, os combatentes nesses países utilizam essas táticas com um "alto nível de sofisticação". Mulheres e meninas sofrem risco de serem atacadas em qualquer momento e em qualquer lugar - em zonas em conflito, em áreas sob controle de forças armadas, em pontos de checagem e nas fronteiras.

A representante da ONU explicou que casamentos forçados ou precoces com combatentes são táticas utilizadas pela Jihad ou apoiadas como forma de "proteção", quando as famílias não têm como garantir a segurança de suas filhas.

A venda ou transferência de meninas e de mulheres entre combatentes e grupos armados no Oriente Médio chega a ser "parte da economia do conflito". Zainab Bangura afirmou também que em países com grande número de refugiados, o risco de violência sexual e de prostituição feminina é maior.

Segundo ela, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ISIS, "institucionalizou a violência sexual e a brutalidade contra mulheres como aspectos centrais de suas ideologias e de suas operações".

Bangura diz que se trata de uma uma estratégia do Isil para avançar com seus objetivos. Para recrutar mais combatentes homens, é oferecido acesso fácil a mulheres e meninas, que são vendidas como escravas sexuais.

A violência sexual é cometida também contra populações de deslocadas internas e utilizada como ameaça para obter informações, para controlar as capacidades reprodutivas da mulher, para destruir famílias e construir um "califado" e para punir, humilhar e forçar pessoas às "ideologias radicais" do Isil.

No Iraque, por exemplo, Zainab Bangura encontrou-se com mulheres e meninas de Erbil, Dohuk e Lalish, províncias que estão a 60 km de Mossul, cidade ao norte controlada pelo Isil.

A representante da ONU declarou que atos de violência sexual e de tortura cometidos pelo grupo "são crimes contra a humanidade e uma afronta ao Islã". Por isso, Bangura pede à comunidade internacional para garantir proteção aos civis em medidas de resposta ao terrorismo.

Durante a visita ao Oriente Médio, ficou claro para Zainab Bangura que a crise síria precisa de uma resposta regional, incluindo apoio aos países que estão recebendo sírios e sofrem enorme pressão financeira para garantir serviços aos refugiados.

A representante explicou que a violência sexual ligada ao conflito na região requer uma "resposta política e de seguraça, combinada com serviços de justiça". Para Zainab Bangura, não pode haver segurança no Oriente Médio sem que todas as mulheres estejam seguras.

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