OPINIÃO
24/08/2015 15:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:25 -02

Chegada de migrantes à Grécia aumenta 750% no primeiro semestre de 2015

Mais de 80% dos migrantes são sírios, que fugiram da violência no país árabe arriscando suas vidas na perigosa travessia pelo mar

Acnur/A. McConnell

A crise de migrantes que atravessam o Mar Mediterrâneo voltou a ser destaque no noticiário internacional esta semana, desta vez com a Grécia sendo o foco de atenção.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), que é uma agência especializada das Nações Unidas, afirmou que o país chegou a receber 21 mil migrantes no período de uma semana.

Mais de 80% dessas pessoas eram da Síria e fugiram da violência no país árabe arriscando suas vidas na perigosa travessia pelo mar. Civis do Afeganistão e do Iraque também estavam entre os refugiados que chegaram à Grécia.

Alerta

Pelos cálculos do Acnur, desde o começo de janeiro, o país recebeu 160 mil imigrantes. Somente em julho, foram 50 mil pessoas. O aumento é considerado "dramático", já que ao longo de todo o ano de 2014, a Grécia tinha recebido 43 mil migrantes.

No começo deste mês, a agência da ONU já havia feito um alerta: o total de migrantes recebido pela Grécia no primeiro semestre de 2015 foi 750% maior do que os números registrados entre janeiro e julho do ano passado.

Nesta sexta-feira (21), o Acnur se pronunciou sobre a situação tensa na fronteira entre a Grécia e a ex-República Iugoslava da Macedônia. Segundo agências de notícias, as autoridades da Macedônia chegaram a lançar granadas e bombas de gás lacrimogênio para dispersar os migrantes.

Segurança

O Acnur fala em "milhares de refugiados, especialmente mulheres e crianças" que tentaram cruzar a fronteira e agora estão enfrentando "condições precárias".

O chefe do Acnur, o alto comissário António Guterres, procurou o ministro das Relações Exteriores da Macedônia para conversar sobre a situação. Nikola Poposki teria garantido que a fronteira não será fechada no futuro.

O Acnur entende a pressão que a região enfrenta e as preocupações com a segurança, que considera serem "legítimas". Mas pediu aos dois governos que ajudem a registrar e a receber os migrantes que chegam e precisam de assistência.

Abrigo

Depois da longa jornada pelo mar, essas pessoas precisam principalmente de abrigo, comida e água. Nesta semana, foi inaugurada na área industrial de Eleonas, em Atenas, um novo centro para abrigar parte desses refugiados.

Segundo o Acnur, o local pode comportar 700 pessoas e é formado por 66 casas pré-fabricadas, todas com banheiro e ar-condicionado. Mas a agência lembra que mais abrigos são essenciais.

A Grécia passa por uma crise financeira, e o Acnur continua reforçando que o país precisa de ajuda - principalmente da União Europeia - para poder dar conta de tantos migrantes.

Foi também recomendada às autoridades gregas a criação de um órgão específico para coordenar a resposta de emergência e fornecer assistência humanitária adequada a esses civis.

O Acnur já está ajudando a Grécia neste sentido, mas destaca que todos os países europeus precisam se envolver nessa resposta.

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