OPINIÃO
02/03/2016 11:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Abusos sexuais, assassinatos e sequestros: um retrato da impunidade na Líbia

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Foto: Prisão de Abu Salim, na Líbia. Foto: Missão da ONU na Líbia, UNSMIL/Iason Athanasiadis

O início da revolução na Líbia, que levou à queda do regime de Muammar Khadafi, completou cinco anos recentemente. E na semana passada, o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas fez um alerta: com tantas crises em outros países, a Líbia está ganhando pouca atenção internacional, enquanto a situação por lá piora a cada dia.

Um novo relatório preparado pela ONU lista uma série de abusos de direitos humanos que estão sendo cometidos por todos os lados em conflito, sejam do Estado ou não.

Segundo o alto comissário para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, muitos dos casos podem ser considerados crimes de guerra e mesmo assim, a impunidade prevalece totalmente no país.

O relatório detalha violações cometidas nos últimos dois anos: ataques em áreas residenciais em Trípoli e Bengazi; tortura e tratamento desumano de presos; desaparecimentos forçados e assassinatos.

Os autores dos crimes: forças do Estado e integrantes de grupos armados. Um dos destaques que mais choca no relatório é a constante violência contra as mulheres.

O documento revela que várias ativistas líbias foram assassinadas nos últimos anos e para a ONU, os crimes parecem ter um objetivo mais amplo: "enviar a mensagem de que as mulheres não podem ter voz na esfera pública".

Uma sobrevivente dos abusos relatou que foi raptada em Trípoli por integrantes de um grupo armado. Durante seis meses, ela foi drogada e estuprada. E ao lado dela, estavam meninas, incluindo garotas de apenas 11 anos. Todas também sofreram violações sexuais.

Muitas crianças são recrutadas para o combate por grupos ligados ao Isil. Já jornalistas e defensores dos direitos humanos sofrem ameaças, isso quando não são sequestrados ou mortos.

O relatório pede à comunidade internacional mais ação para que o Tribunal Penal Internacional, TPI, tenha os recursos necessários para investigar e julgar essas violações.

Outra recomendação é por ações urgentes que levem ao fim da proliferação de grupos armados, como desarmamento, desmobilização e reintegração.

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