OPINIÃO
24/09/2014 15:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Primeiras impressões da Austrália

Davis McCardle via Getty Images

Antes de começar meu novo post queria comentar o anterior que foi bastante polêmico e criticado. É necessário deixar bem claro que a intenção deste blog nunca foi ser de turismo, fazendo resenhas e dando dicas de passeios. A ideia, como pode ser lida em meu primeiro post, é um olhar particular das minhas experiências durante meu intercâmbio. Não espere um roteiro turístico de onde eu moro ou por onde eu for viajar. A maioria dos meus textos é em formato de crônica, que nada mais é uma narrativa dentro de um tempo cronológico e que pode vir a trazer informações e fatos cotidianos. Caso você não tenha entendido este parágrafo, leia meu texto anterior, em que eu disse que não gostei de Santiago e narrei alguns acontecimentos ruins e por isso muitos leitores caíram matando em cima de mim dizendo que não acrescentei nada com meu texto. E como aqui expliquei, não fiz uma resenha turística, narrei minhas vivências. Obs: engraçado como as pessoas são reativas ao lerem uma opinião negativa sobre Santiago, tive a mesma impressão com alguns amigos que torceram o nariz quando eu desprezei a cidade. Ainda mais engraçado quando as pessoas fazem os mesmos passeios do que eu, dizem que amaram e eu não tenho o direito de não gostar. Dica: respeitar a opinião alheia é importante para a convivência social!

Voltando à programação normal...

Uma viagem entre Santiago e Sydney dura pouco menos de 14 longas horas. Para quem consegue dormir até que é mais tranquilo, mas quem não dorme em avião, ônibus ou carro, que é meu caso, é bem tedioso. O Boing da Qantas é daqueles gigantescos usados normalmente em viagens de grande distância. Cada fileira tinha 10 assentos, eu escolhi um no corredor e para minha sorte ninguém sentou no assento ao lado, apesar do avião estar lotado. Achei interessante que o serviço de bordo era em inglês, espanhol e português. Havia muitos brasileiros no voo.

Pela duração da viagem tivemos almoço, jantar e mais alguns lanchinhos. No início do voo recebemos um cardápio com as opções das refeições. O almoço estava delicioso, não lembro o que comi, era um nome francês, a carne apesar de aspecto sem graça era muito saborosa. Não costumo beber álcool em viagens de avião, fico sempre no suco de maçã. Porém, desta vez decidi fazer algo diferente e resolvi encarar um vinho branco. Era vinho australiano, sempre ouvi falar muito bem deles, nos bistrots moderninhos que eu frequentava em SP muitas vezes tinham vinhos australianos na cartela e sempre era um dos mais caros, obviamente eu não pedia por falta de condição financeira (é a vida gente, era obrigado a beber vinho italiano ou chileno!). Durante o voo o vinho que antes era inacessível estava incluído na refeição! Pedi um branco e porra, que delícia! Almocei tomando meu vinho e na hora de devolver a bandeja pedi mais uma garrafinha. Adivinha quem ficou bêbado com 2 garrafinhas de 187ml de vinho??!! Estava ouvindo minhas músicas, bebendo vinho no gargalo (chique!), fazendo amizade com geral, brindando com o chileno da minha fileira que também estava se embriagando. O voo estava ótimo! Logo começou a passar o café e chá, eu pedi minha 3° garrafa de Chain of Ponds, que é feito nas montanhas de Adelaide (li no rótulo!), e meu pedido foi atendido. Depois da terceira garrafa de vinho eu perdi a linha no meio das nuvens do Pacífico!

Meu ciclo de amizades aumentou consideravelmente, cantei em voz alta as músicas que estava tocando no meu fone de ouvido e fiz duas coisas que me arrependo muito: sensualizei cantando Drunk in Love e inventei que era meu aniversário. Ganhei parabéns e abracei umas 15 pessoas. Quando o efeito do álcool passou eu deixei o povo em paz e fui confraternizá-los novamente no aeroporto de Sydney.

Peguei outro voo até Gold Coast e cheguei aqui 10 da noite. O aeroporto da cidade fica muito distante, paguei 75 dólares de táxi até minha casa que está localizada próxima da área central da cidade. Estou hospedado em uma casa de família, que aqui chamamos de homestay, durante meu primeiro mês. Na casa mora Mariette, a dona da casa, uma senhora de 65 anos e mais 4 estudantes, dois chilenos e dois suíços. Cada estudante tem o próprio quarto.

Gold Coast é realmente uma cidade dos sonhos. Muito bonita, agitada, moderna e com diversas praias. Estou morando em Southport, na área bem residencial, a cerca de 20 minutos da agitada e mundialmente conhecida Surfer Paradise. A praia de Surfer é a mais famosa da cidade, realmente uma praia espetacular, com grande extensão de areia dourada, água transparente e alguns prédios bem altos que dão todo o charme. Não vou dizer que é algo do outro mundo essa praia, pessoalmente prefiro a praia do Leblon no Rio de Janeiro. Contudo, quem não está acostumado com praias bacanas, como o pessoal que mora comigo, considerou minha opinião um pouco recalcada. Conheci apenas a praia de Surfer Paradise e Southport, contudo, na redondeza há praias realmente incríveis, como a Tallebudgera, que talvez humilhe a do Leblon e a de Itacarezinho, que é a minha praia brasileira predileta.

Ainda estou sofrendo de jet lag, costumo acordar todos os dias às 5h30 do horário local, o que são 16h30 em São Paulo, e não fazer nada. Estou em processo de adaptação ao país e a minha nova vida. Estou instalado no pior quarto da casa, nem posso chamar isso de quarto, ele é pequeno e não tem janela, apenas alguns furinhos de 2cm². Semana que vem irei me mudar para um quarto com janela e no andar de cima da casa. Eu também já tive algumas desavenças com Mariette. Ela é uma senhora de 65 anos do Zimbabué e mora na Austrália há 25 anos. Bastante ativa e autoritária. A Austrália tem um gigantesco buraco na camada de ozônio, por isso o sol aqui é forte e perigoso. Existe um estudo que um terço dos australianos terá câncer de pele durante a vida. Passar protetor solar aqui é tipo obrigação. No meu primeiro dia fui passear com a Mariette e ela me pediu para passar protetor solar, até ofereceu o dela para mim. Desci para meu quarto para me trocar e passar o meu protetor brasileiro, quando ela me viu passando o meu ela tomou da minha mão e começou a dizer que era uma porcaria, que eu precisava passar o australiano dela. A segunda desavença foi durante o jantar, eu estava comendo algo que eu não sabia o que era, sabia que tinha peixe e legumes, quando senti algo estranho na boca, talvez um pedacinho do peixe que não conseguia mastigar. Eu separei no prato e ela ficou ofendida. Disse que tudo que estava no meu prato era comestível e ótimo para saúde. Minutos depois encontrei outro pedacinho que não consegui comer e desta vez ela ficou muito brava, pegou o garfo dela e começou a misturar a comida no meu prato. Parei de comer e quem ficou bravo agora fui eu! Banho aqui apenas de 4 a 5 minutos, outro dia reclamei que a água não esquentou e ela me disse "Você tomou banho ontem, não precisa tomar banho todo dia, poderia ser a cada 3 dias e preservar o planeta!". Não estou morando no inverno canadense, mas em uma cidade de praia e quente. Apesar dos nossos atritos ela gosta muito da minha companhia, hoje fiquei quase uma hora conversando sobre o Zimbabué com ela enquanto ela fazia jardinagem e depois fomos fazer compras para a casa juntos. Prevejo muitos outros atritos pelo próximo mês.

Como eu disse, moro em Southport, logo atrás de um parque. Para eu ir até Southport ou pegar o Traim, o transporte sobre trilhos da cidade, o caminho mais curto é atravessar o parque e um cemitério. Durante o dia é bem tranquilo, já à noite... Ontem eu fui beber em Surfer Paradise, onde está concentrada toda vida noturna da cidade. Ao voltar eu peguei o Traim e desci na estação Queen, que fica em frente ao cemitério. Era quase meia-noite, eu estava bêbado e decidi atravessar o cemitério sozinho. Não havia nenhuma iluminação, só consegui caminhar porque usei a lanterna do meu iPhone. Eu me senti em cena de filme de terror. Eis que um corvo começa a grasnar perto de mim. Não deu outra, saí correndo desesperado e aterrorizado pelo cemitério e depois pelo parque que era um grande breu. Eu só não chorei de medo porque sabia que chorar poderia atrasar minha travessia. Cheguei em casa ofegante e tremendo. Foi uma experiência nada simpática. Agora são 8 da noite e eu vou mais tarde para Surfer Paradise beber novamente porque não sou obrigado! Irei fazer outro caminho três vezes mais longo, mas esse cemitério de noite nunca mais!

Antes de finalizar meu post eu preciso dizer que estou apaixonado! Desde que eu cheguei à Austrália, já na fila de imigração, eu me apaixono perdidamente a cada 5 minutos. É muita paixão para um só coração, tenho medo de ter um piripaque. Uma amiga que morou aqui por um ano me disse antes de eu embarcar "Lê, na Austrália todo mundo é muito bonito, você não sabe para onde olhar!". Pensei que fosse exagero... Não é! Eu fico extasiado andando na rua, indo à praia... Isso sim é coisa de outro mundo! Ainda bem que vim com muito amor para dar e já comecei a distribuí-lo, eu já saí do 0 a 0. Boa sorte para mim nos amores, que sejam incalculáveis, e na minha nova vida aqui.

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