OPINIÃO
20/02/2014 14:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Índice dos livros proibidos

É para os livros que migram as grandes reportagens que, até anos atrás, seriam exclusividade da imprensa. Veja os 6 mais "perigosos" da história recente do Brasil. Leia e julgue.

Os livros estão se tornando perigosos no Brasil. É para os livros que migram as grandes reportagens que, até anos atrás, seriam exclusividade da imprensa. Não é fato novo, mas o movimento se fortificou com a opção das revistas semanais de entrar em uma guerra ideológica antes restrita a militantes e seguradores de bandeirinhas. Em tom de campanha política, deixaram o bom jornalismo em segundo plano, no melhor dos casos.

A recente tradição de livros-denúncia tem antepassados esquecidos que estão sendo trazidos de volta à vida.

Um dos mais importantes é "Morcegos Negros" (Lucas Figueiredo), que vai além do que saiu na imprensa sobre o caso PC Farias. Um grande escândalo da República que rendeu um bom enredo político e policial.

"Honoráveis Bandidos" (Palmério Dória) mostra como uma família do improvável Maranhão chega à presidência do país e estabelece sua casta. A capa -- um close de José Sarney de óculos escuros -- daria uma bela camiseta.

"Mata!" (Leonêncio Nossa) é a mais completa versão sobre a Guerra do Araguaia. O acesso inédito aos arquivos de Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió, detalha a caçada a guerrilheiros e pessoas comuns na floresta, como se fossem porcos selvagens a serem abatidos.

Outros trabalhos pesaram as prateleiras em tempos mais recentes.

"Privataria Tucana" (Amaury Ribeiro Jr.) desossa as privatizações nos anos FHC, com denúncias de corrupção. O tom panfletário parece ter sido desenhado para militantes, mas uma faxina na hora da leitura mostra que o conteúdo importa. Um ex-ministro, após ler o livro, teria lamentado que a vida pública tenha se tornado uma "guerra de lama". Parece ter lamentado que a lama tenha se tornado pública, e não que ela exista.

Chegando às 100 mil cópias -- venda colossal no Brasil --, "Assassinato de Reputações" (Romeu Tuma Júnior, com Claudio Tognoli) mexe em temas sensíveis como o assassinato de Celso Daniel e o grampo no STF, e deda a primeira vida de Lula como preso "especial" do DOPS, uma espécie de informante. É um folhetim que também pode se encaixar nas fileiras da militância de estrada, mas liga algumas luzes nos corredores escuros da espionagem brasileira.

"Operação Banqueiro" (Rubens Valente) parece ser o mais honesto relato sobre o último, mas não derradeiro, grande caso de corrupção do Brasil. Arquivos da Operação Satiagraha foram esmiuçados e entrevistas foram conduzidas para explicar personagens como Daniel Dantas, o juiz Fausto De Sanctis e o delegado licenciado Protógenes Queiroz.

As editoras parecem mais dispostas do que as empresas jornalísticas a relatar o que acontece nas encruzilhadas do país. E a enfrentar as consequências judiciais. O perigo dos livros desperta os piromaníacos: artistas querem queimar biografias, empresários querem quebrar publicadores, políticos são acometidos por estalos nada democráticos quando aparecem sem paletó e imunidade parlamentar. Sinal de que os livros, os velhos livros, ultrapassados e destinados ao fim, ainda são chaves para reabrir a história.

Para quem consegue deixar as paixões clubísticas de lado, as livrarias oferecem fartura sobre a vida recente do Brasil. Ler e julgar por si é o mínimo exigido.