OPINIÃO
27/04/2015 12:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Na ONU, Angelina Jolie Pitt fala em 'obrigação moral inevitável' em ajudar refugiados

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Angelina Jolie, enviada especial do alto comissário da ONU para Refugiados, fala ao Conselho de Segurança sobre o conflito na Síria, crise humanitária e refugiados. Foto: ONU/Mark Garten

A crise humanitária na Síria foi debatida pelo Conselho de Segurança na sexta-feira, 24 de abril, num encontro com a participação da enviada especial do alto comissário da ONU para Refugiados, a atriz Angelina Jolie Pitt.

Desde o início do conflito sírio, em 2011, ela fez 11 visitas aos civis refugiados no Iraque, na Jordânia, no Líbano, na Turquia e na ilha de Malta. No Conselho de Segurança, Jolie Pitt relatou que, primeiro, a esperança que os refugiados tinham com o fim do conflito transformou-se em ódio.

Raiva

A enviada especial lembrou a raiva de um homem que segurava no colo um bebê e perguntava: "O meu filho filho é terrorista?" Já em seu último encontro com os refugiados sírios, em fevereiro, Angelina Jolie Pitt disse sentir que a raiva havia dado lugar à passividade e à miséria, com os civis questionando porque eles não mereciam ser salvos.

Ela declarou que a crise na Síria está pior pela "divisão e indecisão da comunidade internacional", o que previne o Conselho de Segurança de cumprir suas responsabilidades.

Ataques a Escolas

Jolie Pitt lembrou que a lei humanitária internacional proíbe tortura, fome e ataques a escolas e hospitais, crimes que ocorrem diariamente na Síria.

Ela lembrou que o Conselho de Segurança tem o poder de tratar das ameaças à paz e à segurança internacionais, mas na avaliação dela, esses "poderes não estão sendo utilizados". Para a enviada, "o problema é a falta de vontade política".

Violência Sexual

Outro ponto do discurso de Jolie Pitt no Conselho de Segurança foi sobre violência sexual. Ela pediu maior resposta da comunidade internacional, começando pelos cuidados com as sobreviventes e acusando os responsáveis por esses crimes.

Para a atriz, a crise na Síria é um exemplo de que a "incapacidade de se encontrar soluções diplomáticas causa deslocamento em massa de pessoas e leva milhões de civis ao exílio".

Mortes no Mar Mediterrâneo

Ao Conselho de Segurança, ela declarou que "se não for possível acabar com o conflito na Síria", existe ao menos uma "obrigação moral inevitável em ajudar os refugiados e fornecer meios legais para a sua segurança".

A atriz afirmou ser "revoltante ver milhares de refugiados se afogando à beira do continente mais rico do mundo" e lembrou que as pessoas só arriscam suas vidas e a de suas crianças numa situação de desespero extremo.

Uma declaração conjunta assinada pelos alto comissários para Refugiados, António Guterres, e para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein alertou que "uma tragédia de proporções épicas está se desenrolando no Mediterrâneo".

Na nota emitida na quinta-feira, eles apelaram aos líderes europeus que colocassem "a vida humana, os direitos e a dignidade em primeiro lugar ao chegarem a um acordo sobre uma resposta comum à crise humanitária no Mediterrâneo".

Também assinaram o comunicado o representante especial do secretário-geral para migração internacional e desenvolvimento, Peter Sutherland, e o diretor-geral da Organização Internacional para Migrações, agência parceira da ONU, William Swing.

A Organização Marítima Internacional informou que desde janeiro, pelo menos 1,7 mil pessoas morreram tentando atravessar o Mediterrâneo.

O alto comissário António Guterres também discursou na sessão especial do Conselho de Segurança na sexta-feira. Ele afirmou que os impactos do conflito sírio na região estão tendo "proporções dramáticas".

Guterres disse que "a situação no Oriente Médio é um câncer que corre o risco de se espalhar". Ele afirmou que já são 14 milhões de pessoas deslocadas pelos conflitos na Síria e no Iraque.

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