OPINIÃO
11/04/2014 14:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Hilda Hilst mais viva do que nunca

Dez anos depois de sua morte, o cenário parece ter mudado radicalmente. É pena, depois de em vida ter clamado tanto por reconhecimento, que Hilda não tenha podido testemunhar o leque de homenagens que vem recebendo.

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Há dez anos (e dois meses), Hilda Hilst morreu. Se você não sabe quem foi ela, não está sozinha - mas é mais raridade hoje em dia do que em 2004.

Não vou dizer que, na época, o fato tenha sido ignorado. Jornais e revistas comentaram sobre a morte da polêmica escritora paulistana, residente em um sítio isolado em Campinas, construído por ela mesma (a Casa do Sol), onde escrevia alguns poemas e, mais reconhecidamente, romances pornográficos/eróticos.

Dez anos depois, esse cenário parece ter mudado radicalmente. É pena, depois de em vida ter clamado tanto por reconhecimento, que Hilda não tenha podido testemunhar o leque de homenagens que vem recebendo. Em janeiro, foi capa da revista Brasileiros -- mesmo lá, fica sendo "a escritora que ficou conhecida por seus livros eróticos" e por ser "dona de uma hipnótica beleza; poucas mulheres tiveram, como ela, os homens que desejaram em seus braços", além de assunto de matérias nos mais diversos veículos. Filmes estão sendo lançados sobre sua vida e peças encenadas com base em sua obra (caso da ótima A obscena senhora D, monólogo de Susan Damasceno que ficou em cartaz durante boa parte de 2013). A editora Globo, depois de te reeditado sua obra completa, lançou ótimo livro com entrevistas de Hilda e anuncia a produção de uma biografia.

Para mergulhar mais a fundo na vida e obra hilstianas e esquecer esses estereótipos, a Casa de Lua promove um curso em cinco encontros temáticos, facilitados por três estudiosas da obra da autora. Boa oportunidade para aproveitar esse ano tão rico em homenagens a ela.