OPINIÃO
03/06/2014 17:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Sexismo, racismo ou excesso?

Getty Images

Não sou nenhuma especialista em comportamento humano e muito menos sou dona da verdade, mas a repercussão de alguns acontecimentos me fez parar e refletir.

Na semana retrasada, a Heineken lançou uma campanha em parceria com a Shoestock, na qual com bom humor convidava as mulheres a fazerem compras enquanto os homens assistiam ao final da UEFA Champions League. Enquanto muitas mulheres (como eu) compartilhavam a notícia, convidando as amigas para darem uma voltinha e aproveitarem a promoção, outras se sentiram ofendidas. Elas entenderam que ali havia uma mensagem sexista, afinal, não é só homens que gostam de futebol e bebem cerveja.

Sou mulher e encarei com bom humor a campanha -- Aliás, sou solteira, então deveria ficar chateada, pois essa campanha "sugere" que só mulheres comprometidas façam as compras? -- A campanha tentou agradar os dois lados, não obrigou nenhuma mulher a ir fazer compras, nem aos homens assistirem à final e beberem cerveja. Foi um simples convite. As mulheres poderiam ficar em casa, bebendo com os caras ou, então, eles poderiam sair e acompanharem as meninas nas compras. Aquilo foi uma sugestão aliada a uma brincadeira. Não falou que a mulher teria que pegar o cartão de crédito do cara, não mandou lavar roupa para se ocupar durante o jogo, nem a minimizou em nenhum sentido, ao contrário do que fez a Sergio K, com uma campanha de muito mau gosto onde a mulher aparece pegando a carteira do rapaz e ainda por cima "levando uma apalpada".

sergio

O que quero dizer é que mulheres podem gostar de futebol e homens também. Mulheres também podem amar mais comprar sapatos do que assistir futebol. Onde esta a agressão nisso? Mas e se fosse a Shoestock promovendo a campanha, sugerindo que durante a promoção os meninos poderiam assistir ao jogo e tomar uma cerveja (ao invés de nos acompanharem e ficarem reclamando sobre nossa demora em escolher um par de sapatos)? Será que se sentiriam tão ofendidos? Assim como nem todas as mulheres preferem sapatos, nem todos os homens bebem e gostam de futebol.

Na semana dia 19 de maio, bombou nas redes sociais a propaganda de uma imobiliária onde um trabalhador negro, era escondido por um "homem seta" branco. A imagem postada por um jornalista nas redes sociais logo virou discussão. Para muitos, a imobiliária cometeu uma discriminação social e/ou racial. Parei e me questionei: "E se o trabalhador que estava ali segurando aquela placa fosse branco, haveria toda essa repercussão?" E se fosse uma mulher segurando essa placa, ela também seria alvo de discriminação? Muitas poderiam dizer que mulheres podem sim comprar um apartamento sozinha. E se fosse um japonês? E se fosse um homossexual? E se fosse um heterossexual? Deveria a imobiliária colocar um homem negro na placa ou então fazer um "composto" com homens e mulheres, negro, branco, amarelo, pardo, homossexual, heterossexual, gordo, magro...?

Eu compreendo perfeitamente que existe um enorme preconceito no Brasil e que há discriminação contra a "minoria", mas ali, segurando aquela placa, poderia estar uma pessoa com qualquer outra característica. Talvez devêssemos discutir sobre as condições de trabalho dessas pessoas, (pela foto original parece que o trabalhador é menor de idade) não causar uma polêmica pela raça, afinal, não são só homens negros que trabalham com isso.

Diante destes dois casos - e de tantos outros - deixo a seguinte questão: será que as pessoas estão intolerantes e muitas vezes distorcendo os fatos, procurando motivos para dizer que "estão ofendendo a minoria"?

Não sou negra, mas sou mulher, sou gordinha, vim de família humilde, ouço piadinhas do tipo "vc precisa dar uma para desestressar" e, como se não bastasse, já sofri violência sexual. Logo, também sou vitima. O que muda? O modo de ver as coisas.

Vamos viver sem excessos, lutar por melhores condições de trabalho, rir das propagandas engraçadas, criticar as campanhas de mau gosto, tomar cervejas, assistir ao futebol e comprar sapatos também. Por que não?

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