OPINIÃO
31/07/2014 11:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Por que não fiz plástica após ter quatro partos normais

Estamos em uma democracia e cada um faz o que quer com o corpo e o dinheiro. Isso é ótimo. Por outro lado, não consigo deixar de pensar no que há de errado com a mulher brasileira que precise de tanta correção.

Reprodução

Perdemos de 7 a 1, mas acabamos de conquistar mais uma taça: pela primeira vez, o Brasil é campeão em cirurgias plásticas para fins estéticos no mundo (barulho de fogos). Ultrapassamos os EUA e deixamos o México, terceirão, comendo poeira. Tudo isso segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética. Coincidência ou não, já somos hexa em outro tipo de cirurgia. Nossa barriga entra na faca duas vezes: para que nasçam os filhos e para que o abdome volte à forma anterior ou passe a ter uma forma que nunca teve. E, ainda que os partos normais por aqui rareiem, também encabeçamos a lista dos que mais fazem procedimentos de "rejuvenescimento vaginal". Segundo reportagem de Claudia Colucci, publicada ontem (30/7) na Folha, dos 19 tipos de cirurgias plásticas citadas, o Brasil é líder mundial em 10.

A boa notícia é que estamos em uma democracia e cada um faz o que quer com o corpo e o dinheiro. Isso é ótimo. Por outro lado, não consigo deixar de pensar no que há de errado com a mulher brasileira que precise de tanta correção. Até em aumento de glúteos lideramos (e eu que achava que a bunda brasileira ao natural era a melhor do mundo)!

Sempre tive pânico de cirurgia, de qualquer tipo. Tenho orelhas de abano, por exemplo. Durante um tempo, na infância e adolescência, isso me incomodou, mas nada que o cabelo não ajudasse a encobrir. Hoje não teria problema em fazer rabo de cavalo, caso soubesse como. Detalhe: o Brasil também lidera esse tipo de operação, bem como a de nariz - achava o meu feio quando era teen, mas quem não acha tudo esquisito quando o corpo está mudando tanto?

Quando engravidei pela primeira vez, meu principal medo era precisar fazer uma cesariana. Felizmente, minhas três filhas nasceram de parto normal. Quando perdi um filho, em 2006, com a gravidez já avançada, o processo de parto foi doloroso, física e psicologicamente, mas aquelas horas me ajudaram a me despedir de um bebê muito esperado.

Não vou mentir: minha barriga não é nenhuma maravilha, como você pode conferir na foto, sem filtro e sem retoque (veja a marca do elástico da meia calça). Meu abdome é, digamos, renascentista.

Na primeira gravidez, tudo ia bem até que, no nono mês, as estrias começaram a arrebentar a pele. Após o parto, continuei usando minhas calças de grávida uns bons meses. Quando a calça jeans voltou a servir, era a época das blusas curtas e cinturas baixas, sem muitas alternativas. Eu amamentava, então não tinha como usar vestidos. Resultado: uma barriga péssima que, volta e meia, insistia em aparecer.

Engravidei de novo pouco depois. Felizmente, as calças de cintura alta já haviam voltado às lojas depois que minha segunda filha nasceu. Após minha terceira gravidez, e da perda traumática do filho, resolvi fazer de tudo pra não me lembrar de filhos ou gestação. Isso incluía perder a barriga. Emagreci, fiz muito exercício e o abdome ficou quase 100%. Nunca mais usei biquíni, mas já era possível enfrentar um maiô engana-mamãe apenas para esconder as estrias.

Hoje, quase seis anos depois da quarta gravidez, a barriga ainda insiste em me lembrar que tive quatro filhos e, afinal, já perto dos 42, não sou nenhuma criança. Uma abdominoplastia resolveria isso rapidamente. Mas vou de abdominais mesmo. Se der certo, ótimo. Se não, ótimo também. Ou talvez, depois de parir tantas vezes, eu devesse consideram um rejuvenescimento vaginal. Boa ideia, hein? Só que não.

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