OPINIÃO
16/01/2015 17:08 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Direito de escolha

Think Stock

As crianças devem poder decidir o que querem?

Outro dia presenciei duas cenas que me fizeram pensar. Eu levava minha filha de então cinco anos para escolher a armação de óculos nova numa ótica infantil aqui de São Paulo. Em cinco minutos, ela entrou, escolheu, e foi pedir pirulito para a dona da loja, como já é tradicional.

Claro, ela foi rápida porque usa óculos desde antes dos dois anos. Tem experiência no assunto. E também, porque, guardados alguns critérios mínimos, como preço que caiba no orçamento e armação durável (ela usa uma de silicone praticamente à prova de danos), não interferimos na escolha. Já teve óculos verdes, vermelhos, roxos e rosa, redondos e retangulares.

Uso óculos desde pequena e sei que, se tem uma coisa que a própria pessoa tem de escolher é sua armação, ainda mais quando precisa usar o tempo todo. É algo que faz parte do seu rosto e personalidade.

Minha filha usa tampão desde cedo também, porque é estrábica e tem uma grande diferença de grau e capacidade de visão entre um olho e outro. Precisa tampar o olho melhor para forçar o mais fraco. Ela não gosta muito, claro. Incomoda, as pessoas perguntam se ela operou a vista etc. Mas usa religiosamente seis horas por dia. Porque não é algo que ela possa decidir. Tem de usar e pronto.

Nesse mesmo dia, uma mãe estava na ótica com o filho que também usava tampão. Quer dizer, usava quando queria. Como assim, "quando queria"?, pensei eu. Se mãe e pai não insistem e obrigam o filho a usar, a criança pode perder a visão no olho mais fraco, o cérebro passa só reconhecer o olho que enxerga melhor. Então, como é possível deixar que o filho, uma criança de no máximo 4 ou 5 anos, "decida" algo assim?

Numa outra área do estabelecimento, uma menina um pouco mais velha, teria uns 7 anos, escolhia sua armação. Quer dizer, escolhia não, porque a mãe decidiu por ela que seria a rosa, embora claramente a menina tivesse gostado mais da roxa ou branca. "Olha, mas essa rosinha não é muito mais linda? Vai ser essa, pronto", decidiu a mãe, ignorando completamente as preferências da filha.

Por que a menina não pôde escolher a armação que queria, se a única diferença entre ambas era estética, já que eram de materiais e preços parecidos, sendo a escolhida pela mãe até mais cara que a preferida pela filha?

Será que não estamos deixando os filhos escolherem o que não devem e tentando decidir por eles o que eles poderiam decidir sozinhos?

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