OPINIÃO
01/12/2015 19:44 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

Desculpe, seu Cosac

Alexander Spatari via Getty Images
Hundreds of books in chaotic order

Desculpe, seu Cosac. Comprei bem menos livros este ano. Culpa da crise.

Costumo brincar que o mercado editorial no Brasil ainda é tão modesto que qualquer amante de livros que feche a carteira causa um abalo sísmico.

Mas guardo com carinho livros que comprei ou ganhei e li, entre eles a edição de Bartebly, que devia ser aberta a cortador de papel e que nos faz pensar "prefiro não fazê-lo" antes de ir adiante; a maravilhosa edição bilíngue da Avenida Niévski, que nos faz caminhar visualmente pela perspectiva.

Comprei de presente para minha sogra, grande amante do medievo, numa daquelas diversas promoções de 50%, quando seus livros chegavam mais perto de nós, O Outono da Idade Média.

Antes me diverti com Objetos de desejo - Design e Sociedade desde 1750, que, além do conteúdo fantástico, tinha aquela capa que você mesmo montava, com adesivos, já que meio é mensagem.

Um dos primeiros flertes de minha filha mais velha com o Oriente se deu com Minhas imagens do Japão (hoje ela estuda japonês e já arranha seus kanjis).

Publiquei tantos livros infantis da Cosac em minha coluna na Pais & Filhos que devo ter indicado todo o catálogo.

E aí vem Contos Maravilhosos e Domésticos, de Grimm, com seus assassinatos e crueldades sem fim, mostrando Onde Vivem Os Monstros?, maravilha de Sendak. Mary Poppins, mágico, A Parte que Falta, de Shel Silverstein, porque sempre a buscamos, O Livro Inclinado, inclinado mesmo, O Nariz, de Gogol, russo como o Hermitage.

Onde está minha edição de Balanço, em português/japonês? Pedro e Lua, tantas vezes lido para minhas aluadas, onde anda, em que prateleira? Lilás, tão excêntrica, tão ela?

A Rainha das Cores, conhecido no consultório da psicanalista infantil, palavras, palavras, palavras. Aquele livro da Gertrude Stein que comecei a ler depois de Meia-Noite em Paris (e não devo terminar)?

Como os personagens reais de A Geração que Esbanjou seus Poetas, a editora comete suicídio.

Nós, que amamos o livro, sentiremos falta.

Não vou me desfazer dos meus Cosac. Prefiro não fazê-lo.

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