OPINIÃO
08/03/2016 10:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

Como é ser mulher e transexual

Transgender transsexual concept. Icon of different gender persons with male female marker. Vector illustration on pink blue background.
Fosin2 via Getty Images
Transgender transsexual concept. Icon of different gender persons with male female marker. Vector illustration on pink blue background.

Quando surgiu a oportunidade de escrever aqui no HuffPost Brasil logo pensei: vou escrever sobre a vivência transexual, mais especificamente sobre como é ser mulher trans.

Fiquei muito empolgada com a ideia, e me imaginei escrevendo um texto que pudesse expressar sobre essa realidade que ainda é mítica e nebulosa na cabeça de muitas pessoas. Seria interessante (e até importante, pensei) um artigo que desse o be-a-bá do que uma pessoa transexual sente, de como se comporta, de como vive. Mas não demorou muito para eu perceber que não posso fazer isso.

Não posso fazer isso porque simplesmente "ser transexual" não é uma coisa única, homogênea. Para viver uma vida e ter uma identidade não existe fórmula, tampouco um manual. A vida de uma mulher trans brasileira, negra e da periferia, por exemplo, é totalmente diferente da vida de alguém como a Caitlyn Jenner.

O que existem são vivências transexuais, cada uma ao seu modo, com suas características e particularidades. Uma pluralidade enorme, assim como no caso das pessoas cisgêneras, e eu só posso falar daquilo que vivo, ou então apontar expressões sociais que englobem a todas, como a transfobia, mesmo sabendo e pontuando que o preconceito - embora sempre dolorido - vivenciado por uma é diferente do preconceito vivido por outra.

Portanto não pretendo nesse post, nem em nenhum outro em que falar sobre transexualidade, dizer como vivem as mulheres trans, como se todas nós fôssemos uma coisa só, e como se isso fosse uma pauta do Globo Repórter (onde vivem, o que comem...).

O que me proponho a fazer, com toda a modéstia de quem ainda está iniciando a transição, com as dores e frustrações de uma mulher ainda lida como homem, é falar das minhas experiências, das trocas com pessoas que conheço e do sistema como um todo. Justamente esse sistema que nos enxerga de uma única maneira, isso quando se dá ao trabalho de olhar para nós.

Esse sistema que continua nos enxergando como lixo, enquanto nós somos resistência. Eles nos olham como figuras patológicas, mas nós sabemos que a vida de alguém vai além de determinantes biológicos.

As nossas vidas - e aí sim, englobo a mulher trans negra da periferia e as trans tidas como celebridades - são sobretudo vidas de coragem. Mas não pensem que somos heroínas. Somos apenas mulheres e homens, que com suas particularidades, querem ter o direito de viver. E é sobre esse direito e essa luta para viver que pretendo falar.

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