OPINIÃO
07/11/2014 12:09 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

A arquiteta que virou artista

O mundo está sempre em evolução e nada parece acontecer como planejado. Todos nós precisamos nos adaptar. Adaptar as nossas vidas, nossas famílias, nossa saúde, nossos negócios. Eu aprendi que seguir a rota que foi traçada para nós nem sempre nos proporciona a vida que vislumbramos.

Blend Images/Aliyev Alexei Sergeevich via Getty Images

Sempre me considerei uma artista...

Eu passei a vida desenhando, pintando e criando. Trabalho em madeira, acrílico, caneta e nanquim - eu faço de tudo. Quando tenho uma simples tarefa, dou um jeito de transformar em um projeto. Com um pai engenheiro, sempre gostei bastante de matemática e ciências também. No começo da minha vida adulta, fazendo a transição para o mundo real, eu decidi que queria estudar arquitetura. Parecia a combinação perfeita de artes e ciências, e rapidamente tornou-se a minha obsessão. Eu amo a arquitetura. Para mim, é simplesmente arte numa escala muito maior e mais técnica. Uma arte inteligente, como eu gosto de dizer. Era perfeito para mim... e ainda é.

"Para mim, a arquitetura é arte, numa escala muito maior e mais técnica. Uma arte inteligente".

Na primavera de 2009, eu me formei com honra (Summa Cum Laude) na universidade Florida A&M University em Tallahassee, na Flórida, com bacharel duplo em arquitetura e ciências arquitetônicas e uma especialização em matemática.

Garota pequena, sonhos grandes.

Já preparada academicamente e esperançosas em chegar ao topo da minha carreira como arquiteta, me mudei para Atlanta, Georgia, no outono de 2010 por um capricho. Não tinha emprego ou amigos lá... mas eu estava faminta. Estava ansiosa e à procura do emprego dos meus sonhos. Pouco tempo após a mudança, consegui o emprego dos meus sonhos em uma das maiores empresas do país, onde trabalhei durante quase dois anos.

Igual a muitas pessoas, eu tinha uma ideia de como seria a minha vida. Conseguir um emprego maravilhoso, trabalhar em um escritório grande, em um andar bem alto de um arranha-céu no meio da cidade, enfim, ser uma arquiteta. Esse sonhos estavam se concretizando e eu mal conseguia acreditar. Lá estava eu, fazendo o meu sonho acontecer sozinha. Contribuindo. Andando com a cabeça erguida. Orgulhosa.

... aí eu caí na real.

Trabalhava em um estúdio sessenta horas por semana, com cinco dias de ferias por ano, jantando na minha escrivaninha, sem nenhuma vida social. A realidade do mundo tornaram a saída daquele emprego dos sonhos em um pesadelo. Eu me senti assustada e insegura, mas me sentia otimista também. Será que o meu futuro não seria como eu sempre o havia imaginado? Ou eu estava sendo ingênua demais, pensando que a minha poderia um dia sair como eu havia planejado. A ingenuidade vence. Anos após a crise econômica de 2008, a economia ainda cambaleante mudou o rumo do meu futuro e me levou de volta para o básico. O que era básico para mim, pelo menos.

Criatividade.

Eu sabia que eu precisava pensar 'fora da caixa', pois só quem pensava assim conseguiu sair ileso da Grande Recessão. Percebendo que o meu futuro tem melhores chances de dar certo se for guiado pelas minhas próprias mãos, lancei o Blueberry Design Studios e decidi que precisava focar naquilo que realmente me inspirava paixão. Trabalhar para alcançar um vida imaginária parecia o máximo da metáfora da rodinha de hamster, e eu não ia entrar mais naquilo. Querendo ou não, eu não ia mais fazer aquilo.

Eu comecei a pintar. Cachorros. Isso mesmo, a pintar cães. Mas essas pinturas são especiais. Uma bela combinação de arte moderna e abstrata, em um encontro com o estilo realista e carismático. As vezes os maiores riscos são aqueles que corremos fora da nossa zona de conforto... mas, se tiver determinação, pode obter sucesso dentro da sua zona de conforto. Para mim, a pintura é algo fácil. Sem falar que eu tenho obsessão pelo meu cachorro, Keiko, uma mistura de Labrador e Golden. Os clientes do mundo inteiro simplesmente enviam as fotos favoritas dos seus bichanos e voila! Essa expansão imediata no meu próprio negócio me forçou a repensar tudo.

Legal, sou dona do meu próprio negócio... E agora?

Como as pessoas começavam pequenos negócios antes das redes sociais? Até hoje, dois anos depois, o meu negócio depende totalmente das redes sociais. As tags, o compartilhar, as postagens, as fotos, as atualizações... tudo isso é absolutamente essencial para vender as minhas pinturas. Mudar do estudo da arquitetura para o estudo das mídias sociais tem sido uma jornada e tanto e não gostaria que fosse de outra forma. O Blueberry Design Studios tem me permitido uma forma de viver através da criatividade. O design de arquitetura, desenhos à mão livre, fotografia e mais, tudo isso tem se tornado a base da vida que eu tenho construído. Literalmente.

O ditado "faça o que você ama e nunca terá que trabalhar um dia na sua vida" nunca foi mais verdadeiro do que hoje. Encontre uma forma de pegar o que você ama, e usando as ferramentas disponíveis hoje, torne seu trabalho relevante e você alcançará o sucesso... da forma em que você o define. O mundo está sempre em evolução e nada parece acontecer como planejado. Todos nós precisamos nos adaptar. Adaptar as nossas vidas, nossas famílias, nossa saúde, nossos negócios. Eu aprendi que seguir a rota que foi traçada para nós - estudar numa boa escola, tirar notas boas e conseguir um bom trabalho - nem sempre nos proporciona a vida que vislumbramos. Seja criativo em seu negócio e na sua vida. Seja inovador. Tenha paixão pelo que faz. Seja feliz.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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