OPINIÃO
25/05/2014 09:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Adotamos o Rafael, depois o Alexandre, e hoje já temos uma neta

Meu companheiro João me propôs: vamos adotar. Estávamos casados há 20 anos e nossa relação ganhou um novo sentido. Somos uma família bastante feliz.

Em 1978, comecei um namoro com João Jerônimo Sodré, que conheci quando éramos alunos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ele estudante de zootecnia e eu de filosofia. Um mês depois passamos a viver juntos. Logo que conheci João, apresentei-o à minha família, que o acolheu como um filho.

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Desde o início de nossa relação eu falava em adotar uma criança. João tinha reservas, não se considerava apto para assumir esse compromisso. Em 1989, mais de 10 anos depois, fomos morar em Saquarema, no Rio de Janeiro. Montamos uma pizzaria na beira-mar de Jaconé. Pouco tempo depois criei uma Associação de Moradores da Restinga de Jaconé. Na associação, primeira da região, iniciamos diversos projetos sociais para a população nativa.

Logo no início conheci João Batista Santana e Creuza de Souza Santana e seus sete filhos. João Batista foi meu aluno na alfabetização de adultos, e seus filhos participavam de várias atividades da associação. João e Creuza então me convidaram para batizar seu filho Rafael, de 6 anos. Rafael inicialmente ia passar fins de semana e férias em nossa casa. Meu companheiro João afeiçoou-se a ele. Criamos laços muito forte também com o irmão de Rafael, o Alexandre. Ele na época morava com outra família.

Chegou um dia em que a família estava passando por sérias dificuldades para se sustentar. Meu companheiro João me propôs: adotemos o Rafael, que estava com 10 anos. Falamos com seus pais. Eles aceitaram. Prometemos a eles que Rafael manteria o vínculo familiar.

Três meses após Rafael estar morando conosco, Alexandre voltou a viver com seus pais biológicos. Resolvemos adotá-lo também, com 12 anos. João e eu estávamos casados há 20 anos e nossa relação ganhou um novo sentido. A vinda dos filhos nos fez amadurecer bastante. Minha familia ia passar as férias conosco e o assumiram como netos, sobrinhos e primos. Quando os meninos estavam com 14 e 16 anos, resolvemos mudar de volta para Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Pensamos que em uma cidade de porte médio eles teriam mais oportunidades de se desenvolver. Consultamos a família deles e eles consideraram também que seria melhor para os meninos. Consultei a assistente social de Saquarema e ela nos aconselhou a fazer uma "adoção à brasileira". Registramos em cartório uma autorização dos pais biológicos para podermos viajar e termos a guarda temporária dos meninos. Viemos para Santa Maria e eles logo se adaptaram à cidade.

Meus projetos sociais e culturais me deram muitos destaques na mídia e os meninos acabaram sendo conhecidos. Rafael às vezes nos apresenta como padrinhos; em outras, como pais. Vivemos muito felizes. Eles nunca nos deram problemas, só alegrias. Para nossa felicidade, Alexandre casou e nos deu uma linda neta, que está com 4 anos. É a nossa realização. Fico encantado de vê-la nos chamando de avôs. Por motivos de trabalho, ele mora há 3 anos em Porto Alegre e nos encontramos uma vez por mês. Mas nos falamos diariamente. Rafael tem uma empresa de eletrônicos e continua morando conosco - e por enquanto só namora.

Os meninos costumam reunir seus amigos aqui em casa e fazemos muitas festas. Anualmente, eles visitam seus pais biológicos e os auxiliam financeiramente. Neste ano eles querem trazer a irmã mais nova para estudar no sul.

Somos uma família bastante feliz. João eu completamos 36 anos de casados neste ano.

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