OPINIÃO
24/02/2014 13:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Protestos no carnaval podem antecipar como será a Copa

Como justificar a proibição do uso de máscaras durante o carnaval? Como separar o militante, o folião e o folião-militante? Ou um folião fantasiado de militante ou o contrário? Já tem até "Black Bloco" sendo preparado

Esses dias eu comentava com alguém sobre a proposta de proibição do uso de máscaras nas manifestações e rimos pensando em como seria subversivo e culturalmente interessante o uso do carnaval ou do ato carnavalesco como forma e espaço de protesto.

Como justificar a proibição do uso de máscaras durante o carnaval? Como separar o militante, o folião e o folião-militante? Ou um folião fantasiado de militante ou o contrário?

Mais: será que o formato do evento carnavalesco pode ser reproduzido em outras datas? O que impede que -- como pretexto de um protesto -- exista festejo mascarado em outras épocas do ano? Será que esse tipo de brincadeira com a identidade não está na essência do festejo carnavalesco -- dando um precedente cultural para confundir eventuais forças de repressão? O "rolezinho" pode evoluir para um "carnavalzinho"?

Mas essa conversa aconteceu no terreno da especulação despretenciosa. Por isso fiquei intrigado e surpreso recebendo o volume desta semana (21/fev) da revista eletrônica da Bites, falando do "Risco Carnaval". Há protestos sendo marcados pelo Facebook em Salvador, Rio, Recife e São Paulo, e há inclusive, em Recife, um grupo preparando um "Black Bloco" para desfilar.

É interessante levantar algumas questões sobre isso para conferir mais adiante:

  • Qual será a força dessas manifestações considerando que, para todos os efeitos, o carnaval é um evento de massas assistido internacionalmente e que portanto pode ser visto como uma espécie de prévia da Copa?
  • Qual será a reação do carnavalesco não engajado em relação a isso? Será que ele e ela entrarão no "ritmo do protesto"? De que maneira o espírito subversivo do carnaval, misturado com muita cerveja e sensualidade, vai brincar com esse assunto sério?
  • Como será a ação da polícia durante o carnaval, considerando que o evento em si já demanda muito planejamento e atenção? Qual a consequência de se ter esse acúmulo de situações? Abre-se mais oportunidades para a polícia vestir a máscara (ou tirá-la) para entrar na folia?
  • O povão dos rolezinhos vai levar seu bloco para os shoppings? Como será isso?

Nas cinzas da quarta-feira vamos saber melhor se haverá um ponto de convívio civilizado/tolerante entre a brutalidade das forças policiais e o desejo por mudanças que motivam os protestos ou se a Copa será mesmo o palco para a prestação pública de contas pelo carnaval dos políticos e empreiteiros que lucraram com a construção de estádios hiperfaturados.