OPINIÃO
23/06/2014 10:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

Assista a Copa do Mundo em uma favela à austríaca (FOTOS)

Tentando esclarecer o cidadão médio sobre as mazelas brasileiras e o contraste entre a realidade sul-americana e o imaginário europeu, Gernot Saiko e Bernadette Pausackl redecoraram nos moldes de uma favela o café que gerenciam.

Darf ich Sie fragen woher Sie kommen? (Bah. De novo a pergunta sobre meu país de origem.) Naja, klar. Ich bin in Brasilien geboren. Uhuhu! Brasilien? Echt? (É, meu camarada, verdade.) Samba, Fußball, schöne Frauen und Stranden. (Claro, nem mesmo uma frase completa para "elogiar" as belezas do país: na ordem, samba, futebol, mulheres e praias.) Tal início de conversa, que me persegue pelos bancos de táxi e mesas de bares e restaurantes desde minha mudança para Viena, se tornou ainda mais comum em tempos de Copa do Mundo e ilustra bem a curiosidade - paralela em tamanho apenas à desinformação - dos austríacos sobre o Brasil.

Tentando esclarecer o cidadão médio sobre as mazelas brasileiras e o contraste entre a realidade sul-americana e o imaginário europeu, Gernot Saiko e Bernadette Pausackl redecoraram nos moldes de uma favela o café que gerenciam. Durante a Copa do Mundo quem visitar o café Luise im Kunsthaus, no pátio do Museu de Arte de Graz, segunda maior cidade austríaca e capital estadual da Estíria, no sudeste do país, terá que driblar varaus de roupa, sentar-se em pneus ou cadeiras de plástico e saborear espetinhos de coração de galinha.

"Eu queria fazer algo para denunciar o conflito entre a Fifa e o povo", conta Saiko. "Mas nós não usamos uma favela específica como modelo por acharmos que fazê-lo seria cínico. Não vivemos em uma favela e temos poucas chances de entender e representar o que passam aqueles que vivem sob estas condições."

Gernot Saiko, no café Luise im Kunsthaus

A redecoração/projeto de arte batizada de Luise im Abseits ("Luise de escanteio" ou "Luise às margens", em alemão) atraiu tanto entusiastas como críticos. Erwin Posarnig reclama na página do café no Facebook que a favela artificial "não passa de uma jogada comercial e é muito pouco como conceito artístico". Já Christiane Rittner-Portschy comemora a idéia: "Ao menos uma vez, futebol visto de um jeito diferente!".

Em média, 30 pessoas tem assistido aos jogos na favela à austríaca. Mas como as habitações temporárias, a construção ainda não está terminada. "A primeira montagem foi feita em cinco dias, mas só terminaremos no dia da final da Copa. Quem nos visita, por exemplo, traz materiais e TVs antigas, que incorporamos na decoração Todos os dias aumentamos, 'embelezamos' e melhoramos o Luise im Abseits".

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