OPINIÃO
26/08/2014 19:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

R.I.P. True Blood: como o fim da série representa uma mudança no gênero vampiresco na TV

Esbeltos, bonitos e enigmáticos. Por alguns anos, esta foi representação majoritária dos vampiros na televisão mundial. Produções recentes têm explorado a temática vampiresca partindo de um novo olhar, mas que ainda causa estranhamento ao público.

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Esbeltos, bonitos e enigmáticos. Por alguns anos, esta foi representação majoritária dos vampiros na televisão mundial. Mesmo em Buffy, a Caça-Vampiros (1997-2003), os seres sobrenaturais sedentos por sangue ainda possuíam rostos atraentes antes de sua transformação. Angel (interpretado por David Boreanaz) lutou contra o seu monstro interior em Sunnydale e também em L.A., onde ganhou a sua própria série anos mais tarde.

A visão sedutora dos vampiros acabou por permear a produção de outros programas nas décadas seguintes. The Vampire Diaries recebeu destaque dentro da cultura teen, principalmente pelo carisma dos atores principais da série, Paul Wesley e Ian Somerhalder. O mesmo aconteceu com Joseph Morgan, que como o sanguinário Klaus aterrorizou Mystic Falls, e agora protagoniza o spin-offThe Originals.

Outros representações semelhantes do monstro invencível que ainda tenta recuperar a sua humanidade podem ser encontradas nas produções Being Human (2008), Lost Girl (2010), Moonlight (2007) e Dracula (2013).

Criada por Alan Ball, True Blood (2008-2014) tentou reavaliar o estigma. Bill Compton e Eric Northman não escaparam do clichê, ao passo que adotaram o papel do anti-herói sedutor, que sempre salva a donzela em perigo. No entanto representações de vampiros diferentes socialmente (homossexuais, idosos, acima do peso, etc.) tiveram o seu espaço na trama sombria. Para quem assistiu ao último episódio do seriado, transmitido mundialmente neste domingo (24), descobriu que, assim como Angel, Bill realizou o seu último sacrifício pela felicidade de Sookie (Anna Paquin). Fica claro, assim, que a busca pela redenção ainda é o elemento principal dentro do velho modelo de representação.

Produções recentes têm explorado a temática vampiresca a partindo de um novo olhar, mas que ainda causa estranhamento ao público. Guillermo del Toro, que assina o roteiro The Strain (2014), defendeu, durante a Comic-Con 2014, uma postura menos estereotipada do gênero. "Hoje, eles são muito bonitos e querem dizer o quanto estão sozinhos na eternidade. Acredito que o vampiro é um monstro, ele quer destruir você, e não namorá-lo", disse (leia a entrevista completa aqui). O mesmo princípio é adotado por Penny Dreadful (2014), que utilizada da abordagem monstruosa e inquietante do vampiro em sua mitologia.

Hemlock Grove (2013-) segue a mesma linha de raciocínio, só que dentro de uma temática familiar. Em uma visita recente ao Brasil, o produtor executivo da série, Eli Roth, disse acreditar que o sobrenatural precisa ser encarado de outras maneiras. "Queria que a transformação em lobisomem fosse algo real e não apenas um cara sarado tirando a camisa. O que me interessa no show é como ser um monstro. Como é lutar contra os seus demônios interiores", explica.

Resta saber se a audiência apoiará a nova tendência.

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