OPINIÃO
20/08/2014 14:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Os quatro maiores problemas da Microsoft

O que a Microsoft deveria fazer? Continuar se arrastando, seguindo seu legado nos PCs e expandindo sua base na nuvem, enquanto seu mercado é cada vez mais definido por usuários empresariais, em vez de consumidores?

SAM YEH via Getty Images
International buyers listen to a speeck in front of a Microsoft logo during the Computex tech show in Taipei on June 4, 2014. More than 1,500 exhibitors, including some of the world's leading technology brands, will set out their stalls at Computex in the capital, with 130,000 visitors expected for the five-day event. AFP PHOTO / SAM YEH (Photo credit should read SAM YEH/AFP/Getty Images)

Para onde irá a Microsoft nos próximos três a cinco anos? Continuará se arrastando, como tem feito nos últimos vários anos, seguindo seu legado nos PCs e expandindo sua base na nuvem, enquanto seu mercado é cada vez mais definido por usuários empresariais, em vez de consumidores?

Com Satya Nadella agora no comando, está claro que a Microsoft procura um novo rumo. Nadella declarou que a companhia está mudando para uma mentalidade "primeiro celular, primeiro nuvem", embora até agora ela só pareça estar abrindo caminho na última.

Para melhor compreender para onde se dirige a Microsoft, é importante examinar os principais problemas que ela enfrenta.

Celular

O maior e mais evidente defeito da Microsoft, é claro, o fato de que ela ainda não descobriu como fincar o pé no mercado de celulares. Atualmente, sua participação nesse mercado é de apenas 3,5% - um número fraco, especialmente comparado com os 14,8% da Apple e 80,2% da Google/Android. Além disso, seu tablet Surface conseguiu apenas 3% do mercado de tablets. Isso torna o Windows o único grande sistema operacional que não tem um componente móvel viável. Por que isso importa? Conforme os hábitos pessoais mudaram para um modelo de computação móvel, é aí que está o dinheiro. Cerca de 53% das receitas da Apple no último trimestre vêm de vendas de iPhones. De modo geral, os mercados de desktops e laptops estão em declínio, enquanto os consumidores confiam mais nos tablets. Isto não significa que os laptops e desktops estejam sendo eliminados, mas que uma família que antes teria comprado dois laptops hoje compra apenas um e usa um tablet como segundo equipamento. Mas também há outro motivo pelo qual isto é sério: ter um ramo de celular forte é importante para manter os consumidores no ecossistema da marca. Se eu tenho um PC Microsoft e compro um iPhone, tenho maior probabilidade de comprar um iPad em vez de um tablet Windows 8, e eventualmente, quando for a hora de comprar um novo laptop ou desktop (supondo que eu não use apenas um tablet), também é mais provável que eu deixe o Windows e opte por um Mac. Além disso, se eu comprar um telefone Android ou um tablet Nexus, é mais provável que eu experimente o ecossistema da Google de outras maneiras, como experimentar seu produto rival do Office, Google Drive. Como a Microsoft não tem uma plataforma móvel viável, os consumidores têm de ir para Apple ou Google, e quando o fizerem é provável que permaneçam lá.

Existe uma potencial vantagem aqui para a Microsoft. Um novo estudo da Gartner descobriu que um dos dispositivos de crescimento mais rápido hoje é a "categoria ultramóvel premium", que consiste principalmente nos MacBook Air e Microsoft Surface Pro - embora ultrabooks de ponta da Lenovo, Dell, HP e Acer também estejam nessa categoria. A pesquisa prevê que os dispositivos ultramóveis premium cresçam 50% neste ano e 70% no próximo. E, até o final de 2015, 80% de todos os dispositivos ultramóveis premium no mercado serão da Microsoft.

O que a Microsoft deveria fazer?

Pessoalmente, eu acho que o Windows 8 é uma plataforma sólida e o hardware Nokia em si também é excelente, então o problema não é da qualidade de seus produtos; é fazer as pessoas os experimentarem. Como a Microsoft faz isso? Corta os preços de toda a sua linha de celulares. Se a Microsoft pudesse oferecer grandes descontos em smartphones e tablets em pé de igualdade com a Google e a Amazon, eles ganhariam tração no mercado. Eles também poderiam alavancar o Office e o Xbox para aumentar o valor agregado desses equipamentos; afinal, um tablet ou telefone que ofereça Office 365 ou jogos grátis do Xbox seria uma verdadeira atração para os consumidores.

Ecossistema

Outro problema da Microsoft é que seu ecossistema não está à altura da concorrência. É claro que o Office 365 é a exceção - e enorme, sem dúvida. Mas sua Windows Store tem cerca de um quinto do tamanho da App Store e da Google Play, não tem um rival viável ao iTunes (a menos que você conte o Xbox), o navegador Chrome da Google ultrapassou o Internet Explorer em participação total de mercado pela primeira vez este mês (e o IE perdeu aproximadamente 50 pontos percentuais desde 2008), o Bing continua em um distante segundo lugar para o Google Search (18,7% contra 67,6%, respectivamente), e a Microsoft só lançou recentemente uma versão online grátis do Office - "Microsoft Office Online" - em reação ao Google Drive. Ter um ecossistema robusto é crítico para manter os clientes e aumentar as vendas de equipamentos, e a Microsoft claramente tem um longo caminho a seguir nisso. Pelo lado positivo, o Outlook.com ganhou o mesmo número de usuários que o Gmail poucos meses depois do lançamento, no ano passado, e continua popular. Seu produto Office Online também recebeu altas notas.

O que a Microsoft deveria fazer?

Ela precisa colocar mais apps em sua loja, mas é um problema do tipo galinha ou ovo: os desenvolvedores não querem construir apps para os quais não há demanda e os consumidores não querem um telefone que não venha com todos os seus apps preferidos. A Microsoft precisa encontrar uma maneira de incentivar os desenvolvedores. Ela poderia fazê-lo pagando para os desenvolvedores, oferecendo margens mais altas sobre as vendas e oferecendo aos consumidores um crédito significativo para a compra de apps. É claro, ao cortar os preços de sua linha móvel para gerar mais vendas, ela solucionará esse problema de forma mais direta.

Desconexão do mercado

A Microsoft está fora de contato com os consumidores? Nos últimos anos a empresa viu sua influência diminuir e também fez vários erros chaves. Por exemplo, a companhia esperou quase três anos e meio depois da estreia do primeiro iPhone para lançar seu sistema operacional para smartphones modernos, o Windows Phone 7 (que fracassou de maneira lamentável); levou dois anos para lançar seu primeiro tablet depois do iPad; ela apostou tudo em um novo sistema operacional para PC e para celular, o Windows 8, que usa uma interface de ladrilhos que é melhor para um dispositivo touchscreen, e não para mouse e teclado convencionais, como a maioria dos consumidores tem; sua última iteração do console de jogos Xbox foi colocada como uma unidade de entretenimento completa para a a sala de estar, em vez de um simples dispositivo de jogo, com preços US$ 100 acima do PlayStation 4 e exigia uma taxa de subscrição de US$ 60 por ano só para poder usar Netflix, Hulu e outros apps; etc. Os preços de seus produtos continuam fora do passo com os consumidores, assim como exagerou em vários produtos chaves -- Xbox One, Surface, Windows Phone e Office -- e depois teve de cortar os preços.

O que a Microsoft deveria fazer?

Mais uma vez, uma estratégia de preços melhor é o mais necessário. A Microsoft tem de parar de adotar a abordagem do modelo premium em muitos de seus produtos - telefones, tablets, laptops, Xbox. Ela também precisa parar de forçar a interface Windows 8 como solução universal para seus equipamentos móveis, laptops e PCs. Em um dispositivo móvel ela faz sentido, mas para computadores tradicionais não é o que os consumidores querem agora.

Parcerias com fabricantes

Um dos motivos pelos quais a Microsoft passou a dominar o mercado de PCs é que ela licenciou o sistema operacional Windows para um amplo leque de fabricantes, como HP, Dell, Samsung, Lenovo, Acer, Asus, etc, que inundaram o mercado de produtos baratos. Estes são os mesmos fabricantes que hoje produzem laptops, ultrabooks e tablets com Windows 8. Sem esse grande grupo de fabricantes como apoio, a Microsoft enfrentaria uma concorrência ainda maior nos mercados que importam. Mas é uma bênção mista: com esse emaranhado de companhias terceirizadas, a Microsoft não tem capacidade de controlar o design, estilo, características, marketing e preços da maioria de seus produtos Windows. A Microsoft tentou superar isto comprando a Nokia e produzindo seu próprio tablet, o Surface, mas ao fazê-lo correu o risco de alienar seus parceiros no tablet, e, em consequência, o Surface sempre teve um preço consideravelmente maior que o dos tablets de terceiros com Windows 8. De modo geral, as parcerias com fabricantes da Microsoft têm um saldo líquido positivo para a empresa, mas sua falta de controle dos produtos torna mais difícil controlar a marca e inovar com novas características e designs.

O que a Microsoft deveria fazer?

Esta é uma área em que não há muito que ela possa fazer. Suas parcerias com fabricantes são simplesmente importantes demais para pôr em risco. A companhia deveria "descontinuar" sua linha Surface e se focar na Surface Pro, onde pode cobrar um premium e o mercado está crescendo depressa, e nos telefones Nokia, onde não enfrenta tanta concorrência de parceiros.

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