OPINIÃO
18/10/2015 21:34 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Arthur Nogueira brilha em show de estreia do novo disco

Ao vivo, Arthur Nogueira e sua banda triplicam a força do disco, deixando-o mais visceral, mais potente. Ao vivo, ele também canta com o corpo, faz do palco a sua pista de dança particular e intimista.

Foto: Diego Ciarlariello

São Paulo - No domingo do dia 23 de agosto, ocorreu no teatro do SESC Belenzinho o show de lançamento de "Sem Medo Nem Esperança" (Joia Moderna), o novo disco do cantor e compositor Arthur Nogueira. Parceiro de composição do poeta Antonio Cícero, Arthur traz em sua música um lirismo literário muito próximo da poesia do seu parceiro e de nomes como Eucanaã Ferraz e do saudoso Waly Salomão (que tem seu DNA no CD, já que seu filho, Omar, é parceiro do jovem paraense na canção "Volta"), o que normalmente remete qualquer um ao velho formato voz, violão e acompanhamento suave.

Para o espanto de alguns, não era nada disso que esperava pelo público naquela noite.

Guitarra (Allen Alencar), bateria acústica e eletrônica (Arthur Kunz), baixo e samples (João Paulo Deogracias), percussão e bateria eletrônica (sim, mais uma - esta sob o comando de Xavier Francisco). Esse foi o line-up do show, capaz de deixar os mais puristas de cabelo em pé e dedo em riste. O resultado dessa escolha ousada foi uma sonoridade que revestiu a marcante voz de Arthur de modernidade e força quase hipnótica. Contando com a ajuda visual da iluminação criativa e cativante de Miló Martins e a execução precisa de cada instrumento e dos efeitos sonoros, a apresentação mostrou àqueles que estavam presentes a razão de muitos acreditarem que o futuro da nossa canção esteja naquilo que Kristoff Silva uma vez chamou de MPB (Música Pós-Björk).

Ao vivo, Arthur Nogueira e sua banda triplicam a força do disco, deixando-o mais visceral, mais potente. Ao vivo, ele também canta com o corpo, faz do palco a sua pista de dança particular e intimista. Ao vivo, sua voz brilha e conquista com facilidade por sua sobriedade e segurança.

A noite também contou com duas participações especiais, ambas de imenso significado afetivo. A primeira foi de Cida Moreira, que foi ovacionada sem mesuras assim que subiu ao palco. Após se sentar ao piano, dedilhou algumas notas e desenhou um vocalise sobre o arranjo de "Fawn" (Tom Waits), tão melodioso que fez a pele do repórter arrepiar enquanto a imagem de Antony Hegarty vinha involuntariamente à cabeça. E qual não foi a surpresa quando, logo na sequência, Arthur Nogueira começa a cantar "For Today I'm a Boy (Antony and The Johnsons), sendo acompanhado pela banda e por uma Cida Moreira deslumbrante e impecável em sua elegância natural. Depois, os dois ainda apresentaram "Preciso Cantar", presente no EP de 2013 e que foi escrita para ela.

Quando chega a vez de Lira se apresentar, a expectativa também é grande, haja vista que "Sem Medo Nem Esperança" bebe bons goles dos dois discos solos do pernambucano de Arco Verde. Lira é conhecida por suas performances intensas e arrebatadoras. No entanto, seu desempenho em "Gratuito" foi tímida e morna, cabendo a Arthur a tarefa de tomar conta do palco. Tudo melhora quando, durante "Simbiose", Lira assume o papel que foi de Antonio Cícero no disco, declamando o poema "Palavras Aladas". Ali ele claramente estava em seu elemento natural, reluzindo, faiscando em sensibilidade. Foi uma pena o fato de que, mal começou a se apresentar aos olhos do público o verdadeiro Lirinha, o mesmo já teve que se retirar.

Quando o show acaba, fica claro que Arthur Nogueira parece não ter acertado em cheio apenas na escolha de repertório e da proposta para a nova fase da sua carreira, mas também na escolha dos companheiros de palco.

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